Parlamento Europeu e rebeldes da Líbia pressionam por exclusão aérea no país

Legisladores europeus e opositores líbios defendem bloqueio aéreo para evitar bombardeios de Kadafi durante confrontos

EFE |

O Parlamento Europeu e a oposição líbia concentrada no Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR) pressionaram a União Europeia (UE) nesta quarta-feira em Estrasburgo (França) para que seja criada uma zona de exclusão aérea na Líbia.

O líder da Líbia, Muamar Kadafi, disse que a população pegará em armas se uma zona de exclusão aérea for imposta à Líbia por países ocidentais ou pela ONU, como os vários líderes rebeldes vêm pedindo.

Com exceção da Esquerda Unida Europeia (GUE/NGL), todos os partidos do Parlamento Europeu se mostraram favoráveis a bloquear o espaço aéreo líbio para evitar os bombardeios dos aviões de Kadafi sobre a população civil, o que vem ocorrendo nos últimos dias.

O CNTR, representado pelo chefe de sua comissão de crise, Mahmoud Jebril, compareceu ao Parlamento Europeu, onde expressou apoio à zona de exclusão aérea, mesmo sem o apoio de um mandato da ONU, condição requerida pelas potências ocidentais.

"Se a zona da exclusão for a solução para frear essa máquina de assassinar (em referência a Kadafi), que seja adotada", mas "que essa missão não implique a presença de soldados estrangeiros em solo líbio", declarou Jebril.

Em um debate com os eurodeputados sobre a resposta da UE na Líbia, a alta representante de Política Externa e Segurança Comum da UE, Catherine Ashton, mostrou-se cautelosa e expressou que os líbios devem fazer "sua própria revolução".

"Deve-se definir muito bem o que queremos dizer por zona de exclusão aérea, porque não se entende o mesmo no mundo todo", disse Catherine, que preferiu falar de ajuda humanitária, retirada de cidadãos da UE e fim da violência em vez de ações militares na Líbia.

Catherine também se mostrou prudente sobre o reconhecimento do CNTI como interlocutor do povo líbio, órgão que foi convidado ao plenário do Parlamento Europeu pelo líder dos liberais do Partido Alde, Guy Verhofstad. "É uma questão para os países da UE decidirem", disse a alta representante. Na sexta-feira, o Conselho Europeu extraordinário em Bruxelas tratará da crise líbia.

A alta representante europeia lembrou o pacote de ajuda humanitária que está sendo preparado pela UE para o norte da África, mas reconheceu que, "se algo pode ser criticado sobre a UE, é que ainda precisamos de mais tempo para tomar cada decisão".

Os eurodeputados - especialmente os Verdes/ALE, os conservadores do PPE, os reformistas do ECR e os da GUE - criticaram Catherine, ao personificarem nela os demais importantes funcionários da UE e dos 27 países-membros que conversavam com Kadafi até um mês atrás.

O líder dos Verdes, Daniel Cohn-Bendit, criticou os líderes europeus por terem sido "cúmplices de ditaduras" e "não fazerem autocrítica". O eurodeputado belga Der Jank Eppink, dos conservadores e reformistas europeus, mostrou fotografias sobre as saudações efusivas a Kadafi na Europa por personalidades como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o ex-governante belga Guy Verhofstadt, o presidente permanente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e o premiê italiano, Silvio Berlusconi.

Catherine mostrou-se ofendida com as críticas ao encontro de Van Rompuy com Kadafi depois de o presidente do Conselho Europeu já ter assumido suas tarefas em Bruxelas. A alta representante europeia saiu em defesa de Van Rompuy.

"Muitos funcionários de responsabilidade se veem forçados a se reunir com pessoas com as quais talvez não gostariam. Mas não é por decisão própria", explicou.

O Parlamento Europeu votará nessa quinta-feira uma resolução conjunta de todos os grupos que pedem "o final do brutal regime de Kadafi" e da violência que está atingindo a população líbia. O texto reivindica também que os 27 países-membros da UE estendam o embargo e as sanções "à totalidade dos bens de Kadafi e de seus correligionários" e cumprimenta o bloco europeu por impulsionar a investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI) pelos supostos crimes de guerra na Líbia desde o início da rebelião.

    Leia tudo sobre: libiakadafiunião europeiazona de exclusão aéreaeua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG