Parlamentar é ferido em confronto de manifestantes no Iêmen

Cerca de mil manifestantes foram bloqueados por tropa de choque da polícia e entraram em choque com partidários do regime

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Manifestantes antigoverno gritam palavras de ordem durante protesto pela renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh em Sanaa, Iêmen
Centenas de manifestantes da oposição e do governo entraram em choque pelo segundo dia consecutivo nesta terça-feira na capital do Iêmen, em meio a uma onda de protestos alimentada pela rebelião no Egito.

Cerca de mil manifestantes faziam uma passeata pela rua que leva ao palácio presidencial, mas foram bloqueados pela tropa de choque da polícia, segundo um repórter da Reuters.

Dispersando-se por ruas laterais, os oposicionistas foram confrontados por seguidores do governo, e ambos os lados se agrediram com paus e pedras.

A polícia conseguiu apartar a briga, mas quatro manifestantes antigoverno ficaram feridos, dois deles com sangramentos na cabeça. Três ambulâncias escoltaram a passeata desde o início, num sinal de que já havia previsão de confrontos.

Alguns governistas agrediram um parlamentar que participava do protesto. Ahmed Seif Hashid acusou o partido governista de ter contratado pessoas para intimidar os manifestantes.

"Alguns deles tentaram me apunhalar pelas costas. Os ataques aqui continuam acontecendo, eles querem ocupar os lugares usados para os protestos", afirmou o deputado.

"Fora, Ali, fora, e leve seus filhos com você!", gritavam os manifestantes, referindo-se ao presidente Ali Abdullah Saleh, um importante aliado dos EUA na luta contra a Al-Qaeda. Saleh governa o Iêmen há 32 anos, e muitos preveem que ele transferirá o poder a um dos seus filhos - algo que o governante nega.

Nos primeiros protestos no Iêmen, semanas atrás, havia apelos por reformas dentro do atual governo. Depois da rebelião egípcia, no entanto, o alvo passou a ser o próprio Saleh.

Mas analistas duvidam que o Iêmen possa ter uma revolução como a egípcia, que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 18 dias. No Iêmen, onde metade da população tem armas e há fortes sentimentos tribais, poderia haver mais violência e um conflito mais prolongado.

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Manifestante antigoverno (centro) se enfurece enquanto outros são bloqueados pela polícia iemenita durante marcha em Sanaa, Iêmen
Dezenas de milhares de pessoas têm participado dos protestos no país, um dos mais pobres da Península Arábica, e desde sexta-feira a situação começou a ficar violenta, com confrontos envolvendo grupos rivais e eventualmente a polícia.

Diante dos protestos, Saleh já fez várias concessões, como a promessa de deixar o poder em 2013 e um convite de diálogo com a oposição.

Além da repressão política, os iemenitas se queixam também das condições econômicas. Cerca de 40% dos 23 milhões de habitantes do país vivem com menos de US$ 2 por dia, e um terço passa fome cronicamente. 

Na segunda-feira, centenas de manifestantes contra e a favor do governo do Iêmen se enfrentaram ao sul da capital, Sanaa. Os manifestantes exigiram reformas políticas e a renúncia de Saleh.

Nos confrontos, os ativistas das duas facções jogaram pedras uns contra os outros. E os manifestantes antigoverno marcharam rumo ao quartel general da divisão de Inteligência da polícia.

Saleh, que governa o Iêmen há 32 anos, adiou uma visita que tinha programado no domingo a Washington, por causa da instablidade no país.

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