Para Irmandade, votação em peso justifica controle civil no Egito

Segundo líder de partido ligado à Irmandade Muçulmana, os egípcios foram às urnas por desejarem um Parlamento forte e democrático

iG São Paulo |

Favoritos a dominar as primeiras eleições parlamentares do Egito desde a renúncia do presidente Hosni Mubarak , líderes do partido político Irmandade Muçulmana estabeleceram um novo desafio às autoridades militares egípcias na terça-feira, antes mesmo de as urnas terem sido fechadas ao final do segundo dia de eleições.

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AP
Autoridades eleitorais são vistas através de urna das eleições parlamentares em Cairo, no Egito

Em entrevista concedida ao jornal americano The New York Times, Essam el-Erian, um líder do Partido da Liberdade e Justiça (PLJ), pertencente à Irmandade Muçulmana, argumentou que a inesperada participação massiva dos egípcios nas eleições indicava uma reivindicação popular por maior controle civil.

Embora um general entre os governantes do país tenha dito no último fim de semana que a junta militar continuaria a escolher o premiê mesmo depois da formação de um Parlamento, Erian disse que a numerosa participação nas eleições de segunda e terça-feira mostra que os egípcios querem que uma maioria parlamentar, e não os generais, tenham esse poder. "Milhões de egípcios votaram, porque querem um forte e democrático Parlamento", disse.

Seu pronunciamento é um sinal de que a Irmandade Muçulmana tem a intenção de usar seus assentos para pressionar os militares, apesar de ter recusado se unir aos protestos que tomaram as ruas do país dias antes das eleições.

A votação no Egito aconteceu em nove das 27 províncias em dois dias, justamente para estimular uma maior participação popular e evitar abstenções devido aos intensos distúrbios contra a junta militar que está no poder do país desde a queda de Mubarak em fevereiro.

O partido da Irmandade Muçulmana garantiu nesta quarta-feira estar liderando a apuração da etapa inicial da eleição parlamentar do Egito, apesar de nenhum resultado oficial ter sido divulgado até o momento.

O PLJ disse que as primeiras indicações mostram sua liderança na disputa das vagas distribuídas por listas partidária e votações individuais. Na disputa por lista, segundo o PLJ, o partido é seguido pelo religioso Partido Salafista Al Nour e pelo liberal Bloco Egípcio.

Dois terços das vagas na Câmara serão distribuídas entre os partidos, enquanto um terço será definido em disputas distritais. Uma fonte do PLJ disse em anonimato que a coalizão liderada pelo partido islâmico recebeu até o momento cerca de 40 % dos votos entre todas as listas partidárias.

Se confirmado esse resultado, e repetido em todo o país nas próximas etapas da eleição, que vai até janeiro, uma bancada poderosa será dada ao mais antigo e bem organizado grupo islâmico do Egito.

A junta militar também impediu que o novo Parlamento tenha poderes para dissolver o atual gabinete - liderado por Kamal Ganzouri desde o final da semana passada.

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A votação de segunda e terça-feira, a primeira de três rodadas, transcorreu em sua maior parte em clima pacífico, mas na terça-feira houve violência na praça Tahrir , principal reduto dos protestos no Cairo, deixando cerca de 80 feridos.

Depois de uma calmaria após os confrontos violentos entre manifestantes anti-junta militar e a polícia , que deixaram mais de 40 mortos e milhares de feridos, um novo conflito se instaurou na praça central da capital egípcia. Mas, segundo a polícia, não houve envolvimento de seus agentes nos conflitos de terça-feira.

Segundo testemunhas que estavam no local, uma briga entre manifestantes e vendedores ambulantes saiu do controle e os dois lados começaram a arremessar pedras, garrafas e coquetel Molotov.

As eleições dessa semana são consideradas a primeiras livres no Egito desde que militares derrubaram a monarquia, em 1953.

Embora a Irmandade não tenha iniciado a revolução que acabou com os 30 anos de governo de Mubarak , ela está entre os seus maiores beneficiários. Proscrita por Mubarak e seus antecessores, a organização agora está mais próxima do poder político.

No Marrocos e na Tunísia , partidos islâmicos também venceram eleições parlamentares nos últimos dois meses.

Com Reuters

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