Para diminuir repressão, manifestantes protestam à noite na Síria

Apesar disso, quatro morreram em vila no sul do país; após orações desta sexta-feira, milhares voltam às ruas contra governo

iG São Paulo |

AFP
Imagem retirada do YouTube mostra opositor ao governo rasgando pôster de ex-presidente sírio Hafez al-Assad, pai do atual líder Bashar al-Assad, em Homs, na Síria (25/5)
Um grupo de oposição da Síria disse que forças de segurança abriram fogo em um protesto noturno entre quinta e esta sexta-feira em Dael, uma vila no sul do país, deixando quatro mortos.

Muitos ativistas têm optado por manifestações noturnas e vigílias à luz de velas em dias recentes, com o objetivo de protestar num período em que a presença de policiais é menor.

Segundo grupos de direitos humanos, a repressão do governo deixou mais de 1 mil mortos e mais de 10 mil presos nos últimos dois meses. Em 13 de maio, a ONU afirmou que a estimativa da oposição feita até então sobre o número de mortos, de 850, era provável .

Há relatos de que outras marchas ocorreram de madrugada ou no início da manhã desta sexta-feira em diferentes bairros da capital, Damasco, nas áreas costeiras de Latakia, Banias e Jableh, nas cidades centrais de Hama e Homs e na Província de Idlib, no norte do país.

Milhares saíram às ruas para participar da nova jornada de protestos após as orações do meio-dia. Embora tenham sido registrados choques violentos entre manifestantes e forças de segurança em alguns pontos do país, ainda não há informações sobre mortos pela repressão policial mesta sexta-feira.

Apesar disso, há informações de que dezenas foram detidos, segundo fontes da oposição. As versões dos ativistas da oposição não puderam ser confirmadas pelo forte controle da informação imposto pelo regime de Assad.

O governo expulsou vários jornalistas estrangeiros do país e deteve ou proibiu repórteres de veículos internacionais de trabalhar.

Reunião do G8

Reunidos em Deauville, França, líderes do G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e Rússia) disseram estar "horrorizados" com as "repetidas e graves violações aos direitos humanos no país", afirmando que  "analisarão medidas" caso Damasco continue a utilizar da força.

"Estamos horrorizados com a morte de centenas de manifestantes pacíficos como resultado do uso da violência na Síria e por repetidas e graves violaçãos aos direitos humanos", afirma o comunicado final do grupo.

Em um rascunho prévio, o parágrafo dedicado à Síria ameaça "considerar uma ação no Conselho de Segurança das Nações Unidas", mas não estava claro se a frase faria parte do texto final por causa da oposição russa, informou uma fonte diplomática.

Os líderes do G8 pedem às "autoridades a cessar imediatamente o uso da força contra o povo sírio e a responder às suas legítimas demandas de liberdade de expressão e direitos universais", diz o texto. "Também pedidos a libertação de todos os presos polítocos na Síria."

*Com AP, EFE e AFP

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