Países do Ocidente pressionam Síria no Conselho de Segurança da ONU

Texto apresentado por Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal teve linguagem modificada para receber apoio de membros como Rússia e China

BBC Brasil |

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Um grupo de países europeus apresentou nesta quarta-feira ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas uma nova proposta de resolução que condena a repressão do governo da Síria a manifestações pró-democracia.

O texto, apresentado por Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal em uma reunião a portas fechadas, em Nova York, é uma nova versão de uma proposta anterior e deverá ser analisado nesta quinta-feira. A proposta de resolução condena as violações sistemáticas dos direitos humanos na Síria, pede o fim imediato da violência e o fim do cerco das forças de segurança do governo a diversas cidades do país, permitindo a entrada de ajuda humanitária.

AP
Manifestantes carregam caixões de opositores mortos em conflitos com forces de segurança em Homs, na Síria (4/6/2011)
Diferentemente da posição adotada em relação à Líbia, porém, a proposta não autoriza qualquer tipo de ação concreta contra o governo sírio.

Linguagem

A linguagem da versão apresentada nesta quarta-feira foi modificada para conquistar o apoio de outros membros do Conselho de Segurança até então contrários a uma resolução.

O temor dos países contrários à medida é de que a resolução seja o primeiro passo para uma intervenção na Síria, a exemplo do que ocorre na Líbia, onde foi autorizada em março uma ação militar para proteger civis contra as forças do coronel Muamar Khadafi.

A Rússia, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, com poder de veto, manifestou-se contra a resolução. A China, outro membro permanente, também se opôs.

Em uma tentativa de dissipar os temores e evitar o risco de veto, o novo texto afirma que a única solução para a crise passa por um processo político inclusivo e liderado pelos sírios.

Apoio

Os Estados Unidos, também membro permanente do Conselho de Segurança, não participaram da apresentação da proposta, mas manifestaram forte respaldo à resolução. “Nós estamos tentando convencer outros membros do conselho a fazer o mesmo”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, ao afirmar que os Estados Unidos apoiam a resolução.

A Grã-Bretanha e a França, outros membros permanentes, estão pressionando pela aprovação da medida. Alguns embaixadores disseram esperar uma votação para sexta-feira.

No entanto, segundo especialistas, ainda há risco de veto por parte da Rússia e da China.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que mais de mil pessoas já foram mortas na Síria desde março, quando começaram os protestos exigindo a saída do presidente Bashar al-Assad.

Os números não podem ser confirmados de forma independente, já que o governo da Síria proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros no país.

Fuga à Turquia

Em meio aos desdobramentos diplomáticos, centenas de sírios tentavam entrar na Turquia nesta quarta-feira, temendo ser vítimas de uma repressão governamental.

Muitos dizem ter saído da cidade de Jisr al-Shughour porque temiam uma ofensiva militar, depois que o governo afirmou que 120 oficiais das forças de segurança sírias foram mortos por “gangues armadas”.

O governo turco afirmou que não fechará as portas aos refugiados. Em coletiva de imprensa em Ancara, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que o país está monitorando a situação e pediu a Damasco que agisse com tolerância. 

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