Países do Golfo decidem retirar observadores da Síria

Seguindo a Árabia Saudita, Kuwait, Catar, Bahrein, Omã e Emirados Árabes abandonam missão e pedem interferência da ONU

iG São Paulo |

O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), bloco que reúne Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Bahrein, Omã e Emirados Árabes, afirmou nesta terça-feira que vai retirar seus observadores que participam de uma missão da Liga Árabe na Síria. A decisão é anunciada um dia após o governo do presidente Bashar al-Assad recusar um novo plano de paz do grupo.

"Os Estados membros decidiram aderir à decisão do reino saudita e retirar seus observadores da missão da Liga Árabe na Síria", disse o CCG, em comunicado. O documento pede que o Conselho de Segurança da ONU “tome todas as medidas necessária para exercer pressão sobre a Síria e conduzi-la a aplicar o plano de paz”.

Leia também: Síria rejeita plano da Liga Árabe que prevê renúncia de Assad

AP
Manifestante protesta contra governo da Síria em frente à sede da Liga Árabe no Cairo (22/01)

A decisão pode complicar a continuidade da missão da Liga Árabe na Síria, já que mais da metade dos observadores são de países que integram o CCG. O grupo foi fortemente criticado por não ter conseguido encerrar a violência na Síria, que já dura dez meses. Ativistas dizem que quase mil pessoas foram assassinadas no país desde o início da missão, em dezembro.

O objetivo da missão era verificar a implementação de um plano da Liga Árabe que previa o fim da violência, a retirada dos blindados das cidades, a libertação dos presos políticos e a livre circulação dos meios de comunicação estrangeiros.

A entidade havia dito que os observadores ficariam na Síria por mais um mês, apesar das críticas quanto à sua eficiência. Ativistas dizem que quase mil pessoas foram assassinadas no país desde o início da missão, em dezembro.

No entanto, um dos principais financiadores dos projetos da Liga Árabe, a Arábia Saudita, disse no domingo que estava se desligando da missão à Síria, acusando o governo Assad de não cumprir compromissos assumidos.

No domingo, um novo plano foi proposto pela Liga Árabe, após uma reunião no Cairo da qual participaram os ministros das Relações Exteriores de países membros. De acordo com um comunicado lido pelo premiê do Catar, xeque Hamad Bin Jassim Al-Thani, a proposta previa que Assad delegasse os poderes ao vice-presidente “para trabalhar em conjunto com um governo de unidade nacional", a ser formado dentro de dois meses.

Na segunda-feira, a Síria rejeitou a proposta, dizendo se tratar de um ataque a soberania do país. Segundo a TV estatal síria, um representante do governo afirmou que a iniciativa "não reflete os interesses do povo sírio" e é parte da “conspiração contra a Síria”.

O Comitê de Coordenação Local, um grupo de oposição, criticou o novo plano da Liga Árabe dizendo que ele dá ao governo sírio “mais uma oportunidade e mais tempo para enterrar a revolução”. Os ativistas pedem que a Liga assuma que não conseguiu encerrar a crise e peça ajuda à ONU para “forçar o regime a cumprir as demandas dos opositores”.

A Liga Árabe anunciou que buscará a aprovação do Conselho de Segurança da ONU para sua proposta. O plano prevê a criação de um governo de coalizão, a criação de uma nova Constituição e a realização de eleições para o Parlamento e Presidência.

Seria criada ainda uma comissão especial para investigar os assassinatos durante as manifestações pró-democracia, que começaram em março do ano passado. A Liga voltou a pedir que ambos os lados evitem a violência.

Com AP, BBC e AFP

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