Países criticam China e Rússia por veto à resolução contra Síria

EUA, França e Alemanha condenam decisão de não apoiar documento que ameaçava regime sírio com 'medidas dirigidas'

iG São Paulo |

Autoridades americanas, francesas e alemãs criticaram China e Rússia por vetarem na terça-feira uma resolução contra a Síria no Conselho de Segurança da ONU que abriria caminho para futuras sanções da organização a Damasco, medida que representou uma vitória política para a Síria. Esboçado por países europeus, o documento ameaçava a Síria com “medidas dirigidas” caso o líder Bashar al-Assad não ponha fim à repressão de protestos contra seu regime.

O termo “medidas dirigidas” foi usado no lugar de “sanções” para tentar evitar o veto de China e Rússia. Nove países votaram a favor da resolução, enquanto Brasil, África do Sul, Índia e Líbano se abstiveram.

AFP
Conselho de Segurança da ONU se reúne para discutir resolução contra a Síria (04/10)

A Síria comemorou o veto russo e chinês. "É uma jornada histórica, pois Rússia e China, e tantas nações, uniram-se contra as injustiças", declarou Buthaina Shaaban, a conselheira de Assad. "Ao impor seus vetos, colocaram-se ao lado do povo sírio e nos deram tempo de continuar com as reformas para chegar ao pluralismo político sem que tenhamos que passar pelos sofrimentos suportandos pelo Iraque, Líbia, Paquistão e Afeganistão", acrescetou.

Para o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, a decisão de China e Rússia marcou “um dia triste para a população síria” e para o Conselho de Segurança que, segundo ele, “deveria subir o tom contra um ditador que massacra seu povo e tenta sufocar uma esperança legítima por democracia”.

Em comunicado escrito em inglês, algo raro na diplomacia francesa, Juppé afirmou que seu país continuará apoiando a “justa luta” dos que se opõem à Assad.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, considerou o veto “lamentável” e disse que a decisão “enfraquece a autoridade” do Conselho da ONU.

“Foi um dia triste para o Direito internacional e para os direitos humanos. O Conselho de Segurança não cumpriu sua responsabilidade de promover a paz e a segurança no mundo”, afirmou Westerwelle. “A Alemanha continuará buscando uma posição clara e mais pressão no regime sírio internacionalmente e na União Europeia.”

EUA

A principal diplomata americana na ONU, Susan Rice, disse que o governo dos EUA estava “ultrajado” com a decisão de China e Rússia. Segundo ela, a oposição à resolução é uma “artimanha barata daqueles que preferem vender armas para o regime sírio do que apoiar a população”.

“Aqueles que se opuseram à resolução e apoiam um regime brutal terão de responder ao povo sírio – aliás, aos povos de toda a região, que buscam as mesmas aspirações universais”, afirmou. “Não descansaremos até que o Conselho de Segurança assuma sua responsabilidade.”

A delegação americana abandonou a reunião do Conselho de Segurança depois que o representante sírio, Bashar Jafari, acusou os EUA de “apoiar o genocídio” ao proteger Israel e não os palestinos.

Jafari afirmou que os EUA usaram seu poder de veto 50 vezes desde 1945 para proteger Israel. "Isso equivale a fechar os olhos e apoiar os massacres israelenses nas terras árabes ocupadas", disse Jafari, último diplomata a discursar na reunião.

O embaixador britânico Mark Lyall Grant também abandonou a reunião em protesto contra Jafari.

Ao defender o veto, o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, afirmou que o rascunho da resolução era baseado “na filosofia do confronto”, repetindo a preocupação russa com a possibilidade de uma intervenção militar na Síria que siga os moldes da que ocorre na Líbia.

O embaixador chinês na ONU, Li Baodong, disse que seu país se opõe à ideia de “interferir em assuntos internos” da Síria e que sanções ou ameaças de sanções podem “complicar ainda mais a situação”. Rússia e China buscam também limitar a influência ocidental no Oriente Médio.

De acordo com a ONU, a repressão ao regime de Assad, cuja família está há 41 anos no poder, já deixou 2,7 mil mortos. Esse é o primeiro veto sino-russo desde que os dois países bloquearam sanções contra o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, em julho de 2008.

Turquia imporá sanções

A Turquia, por sua vez, anunciou nesta quarta-feira que imporá sanções unilaterais à Síria pela repressão às manifestações apesar do veto imposto na terça-feira por Rússia e China à resolução da ONU. Em viagem à África do Sul, o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, disse que anunciará o pacote de sanções após visitar um campo de refugiados sírios na Turquia.

A afirmação foi feita em meio ao início de uma série de manobras militares do Exército turco na Província de Hatay, na fronteira com a Síria, onde mais de 7 mil sírios se refugiaram por causa da repressão do regime de Assad. Os exercícios militares devem devem ser realizados até 13 de outubro.

As relações entre Ancara e Damasco são tensas desde o início da revolta contra Assad. O governo turco condenou a repressão e defendeu reformas democráticas antes de anunciar sua ruptura com o regime sírio.

Com AP, BBC, AFP, EFE e Reuters

    Leia tudo sobre: síriamundo árabebashar al-assadeuachinarússiaonu

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG