Pai e filho brasileiros falam da 'emoção' de votar pela 1ª vez no Egito

Queda de Mubarak motivou Youssef e Emílio Fadel a participarem de histórica eleição que definirá novo Parlamento

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Youssef, o filho Emílio e a mulher, Sandra (arquivo pessoal)
O egípcio naturalizado brasileiro Youssef Emile Fadel, de 62 anos, deixou sua casa em um bairro do Cairo na manhã de segunda-feira para votar pela primeira vez na vida. Seu filho, Emílio Fadel, de 32 anos, também foi às urnas pela primeira vez.

Youssef se mudou para o Brasil quando tinha 28 anos. Em São Paulo, ele se casou com uma brasileira e teve o filho Emílio. Pouco após se naturalizar brasileiro, em 1979, ele decidiu voltar para o Egito com a família. Dois anos após retornar ao seu país natal, Hosni Mubarak se tornou presidente e governou o Egito por 30 anos até renunciar devido a protestos populares por todo o país, em fevereiro.

As eleições parlamentares, que continuam nesta terça-feira, são as primeiras desde a queda de Mubarak. Quando o ex-líder estava no poder, as eleições eram vistas com desconfiança pela população e acusações de fraude em favor do antigo Partido Nacional Democrático, de Mubarak, eram rotineiras.

"Até hoje, nunca havia me interessado em votar aqui no Egito porque todos sabíamos que não faria diferença, os resultados sempre eram manipulados", disse Youssef.

Votação tranquila

Quando pai e filho chegaram às suas respectivas zonas eleitorais para votar nas primeiras eleições democráticas de suas vidas, eles descreveram a experiência como "emocionante". "Essas eleições são diferentes porque, em teoria, o povo terá o poder de controlar as autoridades e monitorar os pleitos", disse Youssef. "Pela primeira vez neste país, o povo sentiu que tinha o poder do voto nas mãos."

De acordo com o brasileiro, a votação em sua área foi calma e sem maiores problemas. "A votação foi rápida, tranquila e limpa. As pessoas votaram conscientes e com segurança, sem intimidações como ocorria nos tempos do antigo regime", disse.

Sobre o Brasil, Youssef brinca que ainda precisa experimentar a sensação de votar em uma urna eletrônica. "O Brasil está um passo à frente de muitos países em organização de eleições."

Propaganda eleitoral

Para Emílio, a motivação para votar pela primeira vez fez com que ele nem cogitasse boicotar a eleição, como queriam muitos manifestantes que tomaram a Praça Tahrir, no centro do Cairo, para exigir a renúncia da Junta Militar que governa o país. "Fiz questão de votar porque é a minha geração e a seguinte que tomaram a iniciativa de mudar o curso da história do país com protestos contra o regime."

Ele contou que ficou cerca de quatro horas na fila. "Fiquei impaciente, mas no fim valeu a pena", disse.

Como o pai, Emílio também fala em um dia votar no Brasil e se diz privilegiado em poder votar em dois países democráticos. "Votar em embaixadas para presidente não tem graça. Queria votar em um clima de eleição. O engraçado é que, no Brasil, muitos reclamam das propagandas eleitorais. Já aqui no Egito, as pessoas sentiam falta disso, um sinal de democracia", afirmou Emílio.

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