Pacientes são torturados em hospitais da Síria, diz Anistia

Segundo organização, manifestantes feridos em protestos antigoverno são vítimas de maus-tratos em pelo menos 4 instituições

iG São Paulo |

AFP
Imagem de vídeo publicado na internet que diz mostrar protesto em Deraa, na Síria (14/10)
A Anistia Internacional acusou nesta terça-feira o governo da Síria de usar os hospitais do país como parte de sua operação para reprimir a oposição.

Em relatório divulgado em Londres, a organização afirmou que manifestantes feridos durante protestos antigoverno foram vítimas de tortura e maus-tratos em pelo menos quatro instituições médicas administradas pelo Estado.

De acordo com o relatório, funcionários dos hospitais suspeitos de atender manifestantes feridos em protestos também foram detidos e torturados. A Síria nega qualquer tipo de tortura contra opositores.

A investigadora da Anistia para o Oriente Médio e o Norte da África, Cilina Nasser, disse ser alarmante que as autoridades sírias tenham dado liberdade às forças de segurança para agir nos hospitais.

Para a Anistia, é “inquietante” que muitos feridos considerem mais seguro não receber atendimento médico que procurar hospitais federais nas cidades de Baniyas, Homs e Tell Kalakh, além de um hospital militar em Homs.

Um médico deste último centro médico garantiu à ONG ter visto quatro doutores e várias enfermeiras maltratando pacientes. S

egundo a organização, os trabalhadores da saúde estão sendo forçados a escolher entre tratar os feridos ou garantir sua própria segurança.

Outro médico afirmou que os hospitais enfrentam um dilema relacionado a pacientes que precisam de transfusões, já que o banco de sangue do país é controlado pelo Ministério da Defesa.

“Enfrentamos um dilema toda vez que recebemos um paciente com um ferimento a bala ou que precisa urgente de sangue: se fazemos o pedido ao banco, a segurança vai saber sobre o paciente e estaremos arriscando que ele seja preso, torturado ou morto”, disse.

A Síria enfrenta uma onda de protestos populares contra o regime do presidente Bashar Al-Assad há mais de seis meses. Na Síria, a ONU estima que a repressão do governo às manifestações que pedem a saída de Assad do poder e reformas democráticas deixou cerca de 3 mil mortos.

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