Otan se recusa a pedir desculpas por ataque a rebeldes líbios

Vice-comandante da operação na Líbia diz que organização não sabia que oposição possuía tanques militares

iG São Paulo |

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) admitiu nesta sexta-feira ter bombardeado por engano tanques usados por rebeldes líbios em Ajdabiya, mas se recusou a pedir desculpas pelo ataque.

De acordo com o vice-comandante da operação da Otan na Líbia, Russell Harding, a organização não sabia que os rebeldes tinham tanques militares, pois no passado apenas as forças leais ao líder líbio, Muamar Kadafi, usavam os veículos.

Reuters
Rebelde é visto na entrada de Ajdabiya, na Líbia

"Não vou pedir desculpas", afirmou Harding. "A situação ainda é extremamente fluida e até então não tínhamos a informação de que os rebeldes estavam usando tanques."

Horas depois, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, lamentou "profundamente" a morte de pelo menos cinco rebeldes no ataque da organização. Rasmussen chamou o episódio de "incidente infeliz", mas também não ofereceu um pedido de desculpas.

O ataque equivocado da Otan aconteceu na quinta-feira, na estrada que liga as cidades de Brega e Ajdabiya, no leste da Líbia. Um dos líderes das forças rebeldes em Benghazi, Abdel Fattah Younes, disse que gostaria de "receber respostas" sobre o que aconteceu.

"Não estamos questionando a intenção da Otan, porque eles devem estar aqui para nos ajudar e ajudar os civis, mas gostaríamos de receber algumas respostas", afirmou.

Metas

Na quinta-feira, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, propôs um mapa de metas para a paz na Líbia ao mesmo tempo em que apelou a forças leais a Kadafi a recuar em nome da transição democrática no país.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, Erdogan disse que as medidas e coordenadas do plano seriam discutidas em um encontro para avaliar e guiar a intervenção da comunidade internacional na Líbia, prevista para ocorrer no Catar, na próxima semana.

Nesta semana, a Turquia manteve diálogos com enviados do governo de Kadafi e representantes da oposição líbia. O premiê turco assegurou à oposição que a Turquia apoia suas demandas, depois de recentes protestos de alguns membros da oposição contra na Líbia contra a Turquia.

A Turquia inicialmente recebeu com receio a ideia de intervenção militar na Líbia, mas agora apoia uma zona de exclusão aérea para proteger civis. Além disso, o governo turco de voluntariou para liderar esforços de ajuda humanitária na Líbia.

O Ministério das Relações Exteriores britânico disse que representantes de potências europeias, aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, representantes da Liga Árabe e organizações internacionais estarão na reunião em Doha, Catar, prevista para a próxima quarta-feira. O grupo para debater a questão Líbia foi estabelecido durante um encontro em Londres, na semana passada.

Com AP

    Leia tudo sobre: líbiaotanzona de exclusão aéreakadafi

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG