Otan prorroga operações na Líbia por mais três meses

Embaixador americano retorna à Trípoli, enquanto líder do CNT garante que novo governo será nomeado em dez dias

iG São Paulo |

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) decidiu nesta quarta-feira prorrogar por três meses suas operações aéreas e marítimas na Líbia, enquanto os novos dirigentes tentam enfraquecer os últimos partidários armados do ex-líder Muamar Kadafi em alguns redutos.

O acordo para estender a missão na Líbia, assumida pela Otan em 31 de março, foi acertado em uma reunião em Bruxelas de embaixadores dos 28 Estados membros da organização, informou um diplomata da Otan. Sem a extensão, a permissão para as operações expirariam em 27 de setembro.

AFP
Forças do CNT sentam sobre um tanque nas cercanias da cidade de Bani Walid, na Líbia

Essa foi a segunda prorrogação por três meses da missão que vem incluindo uma campanha de bombardeios aéreos e uma ação naval para pôr em prática o embargo de armas da ONU.

Um oficial ouvido pela Associated Press disse que a missão estaria sob constante revisão e poderia terminar a qualquer momento.

Na terça-feira, o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos opositores ao regime, foi reconhecido oficialmente pela ONU, pela União Africana e pela África do Sul como representante da Líbia. A bandeira do novo governo tremulou pela primeira vez na sede da ONU.

Em pronunciamento, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o Conselho de Segurança da ONU agiu para proteger o povo líbio da violência, e por isso autorizou bombardeios da Otan contra as forças de Kadafi. "Hoje, devemos novamente responder com tal velocidade e ação decisiva - dessa vez para consolidar a paz e a democracia", afirmou Ban.

Quem também garantiu apoio na reconstrução do país africano foi o presidente americano, Barack Obama . Ele realizou uma reunião com o presidente do governo interino líbio, Mustafa Abdul Jalil, e parabenizou a comunidade internacional por ter tido "a coragem e o espírito coletivo para agir" na Líbia.

Nesta quarta, o diplomata americano Gene Cretz retornou à Trípoli para liderar a reabertura da Embaixada dos Estados Unidos. Há cerca de oito meses, ele havia deixado a embaixada, depois que foi publicado no WikiLeaks em janeiro suas opiniões sobre os hábitos excêntricos de Kadafi.

O embaixador americano encontrará agora um cenário diferente em comparação a fevereiro no país. A Líbia deve nomear um novo governo dentro de dez dias, segundo o primeiro-ministro interino, Mahmoud Jibril, que está em Nova York.

"Espero que o governo seja anunciado na semana que vem ou no máximo em dez dias", disse Jibril após uma conferência do G8 que discutiu formas de ajudar a transição árabe para a democracia, e que ocorreu paralelamente à reunião anual da Assembleia Geral da ONU. "Não estou incomodado pelo tempo consumido para criar um consenso nacional", acrescentou Jibril.

O CNT prometeu formar um governo abrangente, mas esbarra nas muitas divisões étnicas, tribais e ideológicas da Líbia. O novo governo ainda tenta eliminar os últimos focos de resistência, e nem começou a contagem regressiva para a redação em uma nova Constituição e a convocação de eleições.

Jibril disse que entre os assuntos que estão sendo discutidos estão o número de ministérios do novo governo e a conveniência de concentrá-los em Trípoli, ou de dividi-los entre o leste e o oeste do país. O próprio CNT ainda mantém sua base em Benghazi, o berço da revolução líbia, no leste.

Com AP, AFP e Reuters

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