Otan participa de operação de busca por Kadafi na Líbia

Ministro britânico fala em "papel-chave" da organização, mas se recusa a confirmar se forças especiais estrangeiras atuam em terra

iG São Paulo |

A Otan participa ativamente da operação que busca o líder líbio Muamar Kadafi , cujo paradeiro é desconhecido, segundo informou nesta quinta-feira o ministro britânico da Defesa, Liam Fox. Na terça-feira, rebeldes tomaram o quartel-general de Kadafi em Trípoli, mas ele não estava lá.

“Posso confirmar que a Otan está fornecendo inteligência e equipamentos de reconhecimento ao Conselho Nacional de Transição (órgão político dos rebeldes) para ajudar a localizar o coronel Kadafi e outros membros do regime”, afirmou Fox à rede de TV Sky News.

O ministro se recusou a confirmar os rumores de que forças especiais de alguns países que integram a Otan estão envolvidas nas operações, limitando-se a dizer que a organização desempenha “papel-chave”.

AFP
Rebelde é visto celebrando dentro do quartel-general de Kadafi em Trípoli (25/08)
Na terça-feira, um funcionário da Otan disse à rede de TV CNN que forças especiais do Reino Unido, França, Jordânia e Catar estão há alguns dias em campo na Líbia para ajudar os rebeldes em operações na capital, Trípoli, e em outras cidades.

Segundo a fonte, particularmente as forças britânicas têm auxiliado as unidades rebeldes a "se organizar melhor para conduzir as operações". Algumas dessas forças de todos os países viajaram com as unidades rebeldes através da Líbia em seu avanço a Trípoli. A autoridade da Otan, que falou sob condição de anonimato, disse que as forças especiais ajudaram os rebeldes a "melhorar suas táticas"

Nesta quinta-feira, a revista francesa Paris-Match afirmou que os rebeldes quase capturaram Kadafi na quarta-feira. De acordo com a revista, que cita “fontes confiáveis” sem especificá-las, serviços de inteligência árabes teriam localizado uma casa no centro de Trípoli onde o líder teria passado ao menos uma noite. Segundo a Paris-Match, rebeldes invadiram a casa, mas Kadafi já tinha fugido.

Batalha em Sirte

Rebeldes líbios travam intensos combates nesta quinta-feira em Sirte , cidade natal de Kadafi e localizada no leste do país. Choques violentos aconteceram na estrada a caminho da cidade, que ainda é controlada por forças pró-Kadafi, com barragens de artilharia e ataques com foguetes.

Segundo testemunhas, após conquistarem a maior parte de Trípoli, os rebeldes estão enviando reforços a partir da capital para Sirte, a 400 km de distância. A oposição disse não esperar uma batalha fácil, já que a cidade é um dos principais redutos de partidários de Kadafi em todo o país.

Nesta quinta-feira, as forças pró-regime resistiam à ofensiva e bloqueavam o avanço rebelde para a cidade de Bin Jawad, a 560 km de Trípoli. Os partidários de Kadafi também controlam Sabha, a 650 km da capital. "As forças de Khadafi ainda lutam", disse o comandante rebelde Fawzi Bukatif à agência de notícias AFP.

Choque ainda acontecem em Trípoli, mesmo após os rebeldes terem tomado o quartel-general de Kadafi, Bab al-Aziziya, na terça-feira. Embora os combates mais intensos pareçam ter chegado ao fim, comandantes rebeldes afirmam que ainda há bolsões de resistência na capital, com franco-atiradores leais a Kadafi em alguns pontos da cidade e ataques com morteiros.

Na quarta-feira, a coalizão de grupos rebeldes, o Conselho Nacional de Transição (CNT), anunciou uma anistia para membros do "círculo íntimo" de Kadafi que o capturem ou matem. Um empresário líbio ofereceu até US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões) pela captura de Kadafi "vivo ou morto", segundo os rebeldes.

A liderança rebelde também ofereceu a Kadafi a opção de deixar o país em segurança, se renunciar ao poder. O líder fugitivo prometeu, entretanto, em discurso transmitido na terça-feira, "vencer ou morrer".

    Leia tudo sobre: trípolilíbiamundo árabekadafiotanreino unido

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG