Otan nega ter permitido a morte de imigrantes à deriva

Segundo jornal britânico, organização teria se recusado a socorrer imigrantes que tentavam chegar à ilha italiana de Lampedusa

iG São Paulo |

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) negou nesta segunda-feira ter-se recusado a socorrer um grupo de imigrantes africanos que morreram na tentativa de alcançar a ilha italiana de Lampedusa a partir da Líbia no início de abril, como informou o jornal britânico Guardian.

"A Otan está a par da matéria que indica que um porta-aviões da organização deixou morrer 61 imigrantes que navegavam à deriva entre Trípoli e Lampedusa", afirmou uma porta-voz da Aliança Atlântica, antes de destacar que se trata de uma informação "falsa".

O Guardian informou no domingo que a Otan deixou 61 morrerem de "fome e sede" quando um de seus porta-aviões ignorou os pedidos de socorro de uma embarcação no Mediterrâneo, apesar de constatar o risco de naufrágio.

Depois de 16 dias à deriva em consequência de uma avaria, 61 dos 72 imigrantes que estavam a bordo da embarcação, incluindo mulheres e crianças, morreram em 10 de abril na costa líbia, segundo o jornal.

AP
Farol de luz de embarcação da guarda costeira da Itália mira barco com imigrantes encontrada na costa da ilha de Lampedusa (07/03/2011)
"Apenas um porta-aviões estava sob comando da Otan nessa data, o navio italiano 'Garibaldi', e estava a mais de 100 milhas náuticas das costas", afirmou a porta-voz da organização.

O Guardian informou que poderia ser o navio francês "Charles de Gaulle". "Qualquer afirmação sobre um porta-aviões da Otan ter localizado e ignorado um navio em perigo é falsa", afirmou a porta-voz.

Violência na Líbia

A cidade de Misrata, bloqueada há mais de dois meses pelas forças do líder líbio, Muamar Kadafi, ainda consegue satisfazer suas necessidades diárias, mas corre o risco de sofrer uma grave crise em longo prazo, alertou nesta segunda-feira Donatella Rovera, representante da Anistia Internacional em Benghazi (reduto da oposição líbia, no leste do país).

Rovera afirmou que a falta de provisão de água e eletricidade pode causar graves consequências para a população civil, como uma crise de saúde pública, já que a carência está afetando o tratamento de esgoto.

"Não há água corrente e os cidadãos começaram a usar a água armazenada em velhos poços, que não é potável e pode ser contaminada pelo esgoto, já que atualmente não funciona o sistema de tratamento", relatou.

A falta de eletricidade está afetando também a conservação dos alimentos, em um momento no qual a população de Misrata sofre com a escassez de bens de primeira necessidade e produtos frescos, disse.

"Agora estão sendo atendidas as necessidades diárias, mas a situação não pode se sustentar em longo prazo - e é quando aparecerão os problemas", disse a representante da AI, que passou uma semana em Misrata no final de abril.

Por outro lado, Saddum al Misrati, do comitê de informação de Misrata, explicou em Benghazi que a terceira maior cidade da Líbia e última grande região sob controle rebelde no oeste do país tem comida e água para resistir por um mês e combustível para cerca de três semanas.

As forças de Kadafi cortaram as provisões de Misrata desde o início das revoltas no final de fevereiro e nesse fim de semana atacaram os depósitos de combustível, que abasteceriam a cidade durante cerca de três meses, segundo disseram os insurgentes.

Misrati explicou que está racionando o consumo de eletricidade na cidade para enfrentar a escassez, que afeta sobretudo os hospitais, que operam graças a geradores elétricos a gasolina. "Ainda não há alarme, mas podemos ter problemas se não chegar a ajuda humanitária", disse Misrati, que indicou que ultimamente apenas uma carga de ajuda consegue chegar à cidade por semana, frente às duas ou três, e até cinco, que chegavam no mês passado.

Nas últimas duas semanas, a entrega de ajuda humanitária a Misrata foi bastante limitada, quando não bloqueada, por causa dos ataques contínuos e sistemáticos das forças de Kadafi contra o porto, a única via de acesso à cidade.

*Com AFP e EFE

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