Otan mantém bombardeios e prolonga plano de ação na Líbia

Prevista para terminar em 27 de junho, missão de Aliança Atlântica foi estendida para até o fim de setembro

AFP |

Com novos ataques na noite de terça-feira, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) prosseguiu com a campanha de bombardeios em Trípoli e nesta quarta-feira anunciou que prolongará seu plano de ação militar na Líbia até o final de setembro.

"A Otan e seus aliados decidiram estender nossa missão na Líbia por mais 90 dias", indicou um comunicado de Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da organização, referindo-se ao aumento do prazo, que inicialmente estipulava 27 de junho para o fim da missão.

"Trata-se de uma mensagem clara para o regime de (Muamar) Kadafi: estamos decididos a manter nossas operações para proteger o povo líbio", acrescentou Rasmussen no momento em que o conflito parece se transformar em um atoleiro.

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Rebeldes líbios rezam durante enterro de combatente em Misrata (31/05/2011)
"Nossa decisão também é uma mensagem clara para o povo líbio: a Otan, nossos aliados, toda a comunidade internacional está com vocês", disse. "Estamos unidos para assegurar que possam construir seu próprio futuro. E esse dia está se aproximando", concluiu o secretário-geral da Otan.

A Aliança Atlântica assumiu o controle da operação militar na Líbia no dia 31 de março. A operação havia começado em 19 de março , um mês depois do início da revolta popular violentamente reprimida pelo regime de Kadafi, no poder há quase 42 anos.

Na noite de terça-feira, os aviões da Otan voltaram a atacar Trípoli, alvo de bombardeios intensivos há dez dias. Seis explosões sacudiram a cidade, mas um jornalista da AFP não conseguiu determinar quais foram os locais atacados.

Segundo o porta-voz do governo líbio, Musa Ibrahim, 718 civis morreram e 4.067 ficaram feridos nos ataques da Otan e da coalizão entre 19 de março e 26 de maio. O tenente-coronel Mike Bracken, porta-voz da Otan, afirmou que a Aliança Atlântica, cuja intervenção militar se limita às operações aéreas, "seguirá pressionando" o regime, já que as forças de Kadafi continuam atacando civis.

Bracken mencionou como exemplos as cidades de Dfania e de Yefren, no oeste e no sudoeste da Líbia respectivamente. Dfania, a poucos quilômetros de Misrata, foi "bombardeada cegamente", disse o porta-voz da Otan. Em Yefren "a vida é extremamente difícil e perigosa por causa dos intensos bombardeios" das forças do regime, disse.

O jornal britânico The Guardian revelou nesta quarta-feira, citando fontes militares britânicas, que veteranos das forças especiais britânicas a serviço de empresas de segurança particulares estão em Misrata para ajudar a rebelião.

Os mercenários obtêm informações sobre a localização e os movimentos das tropas leais a Kadafi e as transmitem depois para o centro de comando da Otan em Nápoles, informa o diário. Os ex-militares estão na Líbia com a permissão do Reino Unido, da França e de outros países membros da Otan e receberam equipamentos das forças da coalizão.

O Ministério da Defesa negou que os mercenários sejam pagos pelo governo britânico, afirmando que não há tropas de combate em território líbio. Os conselheiros militares são pagos pelos países árabes, especialmente pelo Catar, segundo o Guardian.

Apesar da intervenção militar e das pressões e sanções internacionais, o regime descarta que Kadafi vá deixar o poder, e as forças do regime continuam combatendo. Os líderes da rebelião rejeitam qualquer solução que represente a manutenção de Kadafi no comando.

O porta-voz do governo líbio insistiu em dizer que uma saída de Kadafi seria o pior para Líbia. "Se Kadafi desaparecer, desaparece a válvula de segurança", disse o porta-voz, advertindo para o risco de uma "guerra civil".

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