Otan descarta intervenção militar na Síria

Oposição ao líder Bashar Al-Assad pediu criação de zona de exclusão aérea, mas sem 'intervenção militar estrangeira'

iG São Paulo |

O secretário-geral da Organização do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, descartou nesta sexta-feira uma intervenção militar na Síria, nos moldes da operação que ajudou a depor o líder da Líbia, Muamar Kadafi.

“Não temos a intenção de intervir na Síria ou em qualquer outro país”, afirmou Rasmussen durante conferência em Bruxelas. Segundo ele, ao contrário da operação na Líbia, a Otan não conta com um mandato da ONU para uma missão na Síria, nem com o apoio de outros países árabes.

AP
Imagem feita por celular mostra protesto antigoverno em Homs, na Síria

Na terça-feira, a Comissão Geral da Revolução Síria, que reúne dezenas de grupos de oposição ao presidente Bashar Al-Assad, pediu a criação de uma zona de exclusão aérea para proteger os civis. Um pedido formal será entregue ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

No documento, a Comissão "solicita ao Conselho de Segurança da ONU que proteja eficazmente (os civis), exija um cessar-fogo imediato, imponha uma zona de exclusão aérea e aprove sanções suplementares contra o regime de Assad". A Comissão destaca, porém, que "não deseja uma intervenção militar estrangeira" no país.

Violentos confrontos continuam acontecendo em várias cidades sírias, segundo testemunhas. Nesta sexta-feira, forças de segurança atiraram contra milhares de opositores que foram às ruas exigir a queda de Assad.

De acordo com ativistas, os confrontos em Homs deixaram pelo menos um morto e sete feridos. Protestos também aconteceram na capital, Damasco, em Deraa, Idlib e Hama.

Comissão da ONU

A ONU afirma que os confrontos na Síria deixaram cerca de 2,7 mil mortos. Uma comissão designada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para investigar a repressão ainda espera uma permissão do governo para entrar no país.

Nesta semana, os três membros da comissão independente começaram os trabalhos em Genebra. O objetivo fundamental é determinar se houve violação de direitos humanos e averiguar as suspeitas sobre crimes contra a humanidade expostas recentemente pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos (OCHA, na sigla em inglês).

O brasileiro Paulo Pinheiro, ex-relator especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, é o presidente da comissão. Os outros dois membros são o turco Yakin Ertürk, professor de Sociologia e também ex-relator de Direitos Humanos, e a americana Karen Abu Zayd, ex-comissária da Agência das Nações Unidas para refugiados da Palestina.

Pinheiro afirmou ser “muito importante” que o governo da Síria colabore com a comissão e aproveite "a oportunidade para oferecer seus pontos de vista". O presidente da Comissão explicou que ainda não pôde se reunir com o embaixador sírio na ONU em Genebra, mas que espera fazer isso na semana que vem.

Pinheiro se comprometeu a desenvolver a tarefa "com a mente aberta" e de maneira "plenamente independente e imparcial", utilizando como ferramenta fundamental o direito internacional.

Em sua primeira fase de "consultas preliminares", a comissão deve se encontrar com diplomatas, responsáveis das Nações Unidas e representantes da sociedade civil síria, além de estabelecer contatos para visitar países vizinhos: Jordânia, Líbano e Turquia.

A previsão é que as conclusões da comissão sejam publicadas no final do mês de novembro e atualizadas em março de 2012. "Se não conseguirmos ir à Síria, há milhões de páginas e documentos que podemos acessar", explicou Pinheiro, insistindo na necessidade de esperar a resposta de Damasco, cuja "cooperação para oferecer sua perspectiva seria fantástica para a efetividade do relatório".

Com AFP, EFE e AP

    Leia tudo sobre: síriaonubashar al-assadmundo árabeotaneuaonu

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG