Otan descarta enviar tropas terrestres à Líbia pós-Kadafi

Secretário-geral da organização diz que caberá à ONU ajudar país em transição democrática após queda de líder líbio

iG São Paulo |

Autoridades da Otan (Organização do Atlântico Norte) descartaram nesta quarta-feira que a Aliança Atlântica envie tropas terrestres na Líbia para manter a ordem depois que a atual guerra civil terminar, deixando para a ONU a tarefa de ajudar o país a realizar sua transição democrática assim que o líder Muamar Kadafi não estiver mais no poder.

AFP
Jornalista passa por veículos carbonizados que, segundo a Líbia, foram atingidos por ataques aéreos da Otan em 07/06/2011
O secretário-geral da organização, Fogh Rasmussen, fez a declaração após reunião com os ministros de Defesa dos 28 Estados-membro da aliança e um dias após aviões da Otan atingirem a capital líbia, Trípoli, com seus bombardeios mais pesados desde o início da campanha ocidental contra Kadafi.

"Para Kadafi, não é mais uma questão se ele sairá, mas quando", disse. "Pode levar semanas, mas pode acontecer amanhã e, quando ele for, a comunidade internacional tem de estar preparada."

Rasmussem afirmou que a organização não vê um papel de liderança da Otan na Líbia assim que a crise terminar. "Vemos a ONU desempenhando um papel central no cenário pós-Kadafi e pós-conflito", disse. Os ministros da Defesa dos países-membros da Otan se reuniram na sede da organização em Bruxelas.

Crimes de guerra

Aicha, filha do líder Muamar Kadafi apresentou uma denúncia na Bélgica contra a Otan por considerar que a organização internacional cometeu crimes de guerra ao bombardear a população civil em Trípoli, de acordo com informações publicadas nesta quarta-feira pela imprensa belga.

O litígio iniciado por Aicha Kadafi no Tribunal Federal Belga e no Tribunal de Bruxelas também pretende anular o bloqueio de bens do regime líbio que a União Europeia (UE) decidiu impor ao Executivo de Kadafi, segundo o site da emissora pública belga "RTBF".

O fato central da denúncia é o bombardeio lançado pela Otan em 30 de abril em Trípoli, no qual, segundo o regime líbio, morreram o filho mais novo de Kadafi, Seif al-Arab, de 29 anos, assim como três de seus netos e outros parentes.

Os advogados da filha de Kadafi consideram que a decisão dos aliados de tomar a população civil como alvo constitui "um crime de guerra".

A resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU autoriza a Otan a tomar medidas militares para proteger a população líbia, mas não contempla que se possa atacar civis nem mesmo em caso de guerra, segundo os advogados, que consideram que o ataque foi deliberado. A denúncia aponta como responsável pelos fatos a Otan, que tem sua sede em Bruxelas, Na Bélgica.

*Com AP e EFE

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