Otan confirma ataques, mas não mortes do filho e netos de Kadafi

Não apontamos para indivíduos", diz porta-voz da organização na Líbia. Rebeldes dizem que notícia das mortes é uma "mentira

EFE |

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) confirmou, em comunicado emitido na madrugada deste domingo (1º), os ataques "de precisão" contra instalações militares do regime de Muamar Kadafi em Trípoli, na Líbia, mas não as mortes de um filho e de três netos do ditador.

A organização menciona concretamente ações contra "um prédio de comando e controle no bairro de Bab Al Azizya", pouco depois das seis da tarde do sábado.

"Estou a par das notícias sem confirmação sobre as mortes de alguns membros da família de Kadafi", afirmou em nota oficial o tenente-general canadense Charles Bouchard, chefe da missão da Otan na Líbia. "(A organização) lamenta todas as perdas humanas, especialmente as dos civis inocentes, vítimas do conflito", diz o comunicado.

O militar canadense lembra que todos os alvos da Otan são de natureza militar e claramente vinculados aos ataques sistemáticos do regime de Kadafi sobre a população e áreas povoadas líbias.

"Não apontamos para indivíduos", acrescenta. Segundo ele, a Otan está cumprindo seu mandato da ONU para deter e prevenir ataques contra civis com precisão e cuidado."

O general aproveitou para pedir de novo aos civis da Líbia que se afastem das forças, dos equipamentos e infraestrutura militar conhecidas do regime de Kadafi para reduzir o perigo potencial para eles.

Rebeldes não acreditam em mortes

Também neste domingo, o porta-voz do principal grupo dos insurgentes, Jalal al Galal, afirmou que a notícia das mortes de Saif al Arab, filho mais novo de Kadafi, e de três netos do líder líbio são "uma mentira". Segundo Galal, o regime de Kadafi pretende, com essa divulgação, pressionar a Otan para que interrompa seus ataques sobre Trípoli.

"Não vimos os corpos nem nos disseram os nomes dos netos", afirmou o porta-voz em relação às supostas vítimas de um bombardeio da Otan sobre a residência de Saif al Arab, o filho mais novo de Kadafi, onde o próprio líder estaria junto com sua esposa, segundo a versão oficial. "Nos dizem que Kadafi e sua mulher conseguiram se salvar, mas se as imagens que nos mostram são verdadeiras, ninguém poderia ter sobrevivido", alegou o representante rebelde. A rede de televisão estatal divulgou no sábado à noite imagens da que assegurou ser a casa de Saif el Arab, nas quais podia ser vista uma residência destruída em grande parte. Galal defendeu a atuação da Otan e disse que a organização "está atacando apenas instalações militares".

Protestos pró-Kadafi

Em resposta aos ataques da Otan, partidários do coronel Muamar Kadafi realizaram protestos em frente a missões diplomáticas ocidentais em Trípoli neste domingo, dia 1. O Ministério do Exterior britânico informou estar investigando relatos de que a residência de seu embaixador foi "destruída". Também houve manifestações em frente a representações da Itália e dos Estados Unidos e a ONU declarou que seus escritórios foram saqueados.

Em fevereiro deste ano, rebeldes começaram um levante com o objetivo de colocar fim aos 40 anos de poder do coronel Kadafi. Desde o mês passado, as forças da Otan também vêm atuando no país sob um mandato da ONU que pretende impedir a morte de civis. Neste sábado, Kadafi fez uma proposta de cessar-fogo , mas sem concordar em deixar o poder. A Otan e os rebeldes da Líbia rejeitaram qualquer negociação.

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