Otan bombardeia TV estatal da Líbia em Trípoli

Emissora continua transmitindo após bombardeio aéreo para impedir que Kadafi 'utilize a televisão para estimular violência'

iG São Paulo |

Aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) bombardearam três instalações da TV estatal da Líbia durante a madrugada deste sábado. De acordo com funcionários da emissora, o ataque deixou três mortos e 15 feridos.

Os ataques teriam atingido antenas parabólicas da TV estatal para, de acordo com a Otan, impedir que o líder líbio Muamar Kadafi "utilize a televisão para intimidar o povo e estimule atos de violência". A emissora, porém, continua no ar.

O porta-voz da Otan, coronel Roland Lavoie, disse que os bombardeios da Otan foram precisos e mostrou ceticismo em relação às declarações sobre possíveis vítimas. "Não temos indícios que mostrem qualquer fundamento nessas alegações" afirmou, acrescentando que os ataques foram feitos durante a noite justamente para evitar mortes.

Nas últimas 24 horas, a Otan também atingiu veículos militares, radares, estoques de munição e centros de comando no leste e no oeste da Líbia.

Younes

Também neste sábado, a liderança rebelde da Líbia disse que membros de uma milícia islâmica ligada à oposição são os responsáveis pela morte do líder militar dos rebeldes, general Abdel Fattah Younes. O corpo de Younes foi encontrado na última sexta-feira, junto com o de dois de seus assessores, nos arredores de Bengazi.

O ministro de Finanças e Petróleo dos rebeldes, Ali Tarhouni, afirmou que o general foi morto na última quinta-feira por guerrilheiros ligados à Brigada Obaida Ibn Jarrah, um grupo islâmico.

O general - ex-ministro do Interior que ocupou um lugar-chave no regime do coronel Muamar Kadafi desde o golpe de 1969 - desertou e se juntou aos rebeldes no começo da revolta popular líbia, em fevereiro.

Reuters
Rebelde líbio chora durante funeral de Abdel Fattah Younes em Benghazi (29/07)

O governo do coronel Muamar Kadafi disse que os assassinatos comprovam que os rebeldes não são capazes de governar a Líbia.

O porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, disse que é "um tapa na cara dos britânicos (o fato de) que o conselho (Conselho Nacional de Transição, a coalizão rebelde) que eles reconheceram não tenha conseguido proteger seu próprio comandante militar).

Ibrahim disse ainda que Younes foi morto pela Al-Qaeda, repetindo a afirmação de que o grupo é a força mais poderosa dentro do movimento rebelde.

"Com estas ações, a Al-Qaeda quer marcar sua presença e sua influência na região. Os outros membros do Conselho Nacional de Transição sabiam sobre isso, mas não puderam reagir porque têm medo da Al-Qaeda", afirmou.

Com BBC, AP, AFP e EFE

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