Otan assume o comando completo das operações na Líbia

Transferência de controle ocorre em meio a debate sobre armar os rebeldes líbios; secretário-geral da Aliança rejeita ideia

iG São Paulo |

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) assumiu nesta quinta-feira o comando total das ações militares internacionais na Líbia ao se completar a transição da coalizão liderada por França, Reino Unido e Estados Unidos à Aliança Atlântica.

Transferência do comando da operação ocorre em meio ao debate sobre armar os rebeldes líbios para acelerar a queda do regime de Muamar Kadafi. Nesta quinta-feira, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse ser contra a ideia. Na quarta-feira, fontes do governo dos EUA confirmaram que o presidente Barack Obama assinou uma ordem que autoriza o apoio secreto às forças rebeldes .

AFP
Rebeldes líbios assumem posições perto da cidade de Brega em meio a confrontos com as forças leais ao líder Muamar Kadafi
A porta-voz da Otan, Oana Lungescu, explicou à agência EFE que o processo de transferência teve início na quarta-feira e será completado nesta quinta, de modo que a organização terá sob seu comando todos os ativos militares internacionais que operam na Líbia.

O novo passo é tomado depois de os 28 países aliados terem chegado a um acordo no último domingo para que a Otan ficasse com o controle e a coordenação de todas as operações de proteção da população civil líbia, o que implica ataques contra alvos terrestres lançados até agora pela coalizão internacional.

Alguns dias antes, a organização já havia assumido a direção da zona de exclusão aérea imposta sobre a Líbia em virtude do estipulado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e, previamente, tinha feito o mesmo com a vigilância do embargo de armas que pesa sobre o país africano por meio de uma missão naval em águas do Mediterrâneo.

A transferência do controle sobre os ataques aéreos à Otan coincidiu com a redução dos bombardeios internacionais contra as forças de Kadafi, o que permitiu às tropas leais ao líder líbio contra-atacar e obrigar os rebeldes a recuar .

Dessa forma, os rebeldes perderam na quarta-feira a maior parte do território que haviam tomado em sua ofensiva na segunda-feira, a última delas a cidade de Ras Lanuf, de modo que a frente está agora em Brega. A Aliança assegurou que seu único objetivo é proteger a população civil, cumprindo com o mandato da ONU, e não apoiar um ou outro grupo.

Armamento aos rebeldes

Estados Unidos e Reino Unido, no entanto, levantaram a possibilidade de armar os rebeldes para que derrotem o regime de Kadafi, uma questão que gera desconfiança em alguns setores de Washington pelo temor de que haja membros da rede terrorista Al-Qaeda entre os rebeldes. No entanto, alguns países da Aliança, como a Bélgica, pronunciaram-se contra essa opção, que, segundo sua opinião, colocaria os países árabes contra a ação internacional.

Ao anunciar que rejeitava a ideia de fornecer armamento aos rebeldes líbios, o secretário-geral da Otan reiterou que a Aliança está no país para proteger, e não armar os líbios. "Estamos lá para proteger o povo líbio, não para armá-lo", declarou Rasmussen. "Até onde a Otan sabe, e eu falo em nome da organização, nos concentraremos no controle do embargo de armas, e o objetivo claro de um embargo é interromper o fluxo de armas no país", afirmou.

Ações militares

As forças governamentais líbias e os rebeldes se enfrentavam nesta quinta-feira nos arredores do terminal petroleiro de Brega (leste), segundo depoimentos obtidos pela AFP a 30 km do local. Os rebeldes instalaram um posto de controle ao leste da cidade, na estrada que vai até Ajdabiya, e não era possível saber quem controlava o terminal petroleiro.

Segundo os depoimentos, os combates são violentos na cidade, que fica 800 km ao leste de Trípoli. Aviões sobrevoaram a região e executaram bombardeios, mas não foi possível determinar os alvos atacados.

Segundo o capitão do Exército líbio Awad Alourfi, que passou para o lado da rebelião, Brega é cenário de batalhas nas ruas e pequenos grupos leais a Kadafi "percorrem a cidade em veículos e disparam contra as pessoas". Pelo menos um rebelde morreu nos confrontos.

Na quarta-feira, aviões franceses atacaram uma base de defesa antiaérea do Exército líbio localizada 20 quilômetros ao sul da cidade de Sirte, cidade natal de Kadafi. Segundo nota do Estado-Maior do Exército francês, o ataque foi lançado por uma patrulha de caças Rafale Air, outra de M 2000D e um agrupamento misto de Rafale e Super-Etendard.

As aeronaves francesas foram apoiados por dois aviões de provisão C135, um E3F e um Hawkeye. Além disso, uma patrulha de Rafale da Marinha realizou uma missão de reconhecimento. O Exército acrescentou que, na terça-feira, as forças francesas atacaram um depósito militar situado 30 quilômetros ao sul de Trípoli.

Além disso, na quarta-feira, uma patrulha de seis aviões efetuaram uma missão de proibição de sobrevoo do espaço aéreo líbio, da qual participaram dois caças M 2000-5 franceses e quatro M 2000-5 catarianos.

*Com AFP e EFE

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