Otan afunda oito navios na Líbia

Embarcações eram de guerra e sem uso civil, disse a Aliança; família confirma morte de fótografo sul-africano desaparecido

iG São Paulo |

A aviação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) bombardeou na madrugada desta sexta-feira os portos de Trípoli, Al Khums e Sirte, afundando oito navios de guerra do líder líbio, Muamar Kadafi, anunciou a própria Aliança Atlântica.

Reuters
Embarcação no porto de Trípoli é visto em chamas

"A Otan e as Forças Aéreas aliadas continuaram seus ataques de precisão contra as forças do regime pró-Kadafi durante a noite, com uma ação coordenada contra os portos de Trípoli, Al Khums e Sirte. A aviação da Otan atacou navios de guerra pró-Kadafi e afundou oito barcos", disse a Aliança.

Após explicar que durante as últimas semanas a Aliança constatou o aumento do uso das forças marítimas pró-Kadafi, o que afetou o fluxo seguro de ajuda humanitária e colocou em perigo as forças da Otan, foi adotada uma "ação deliberada" em uma resposta "cuidadosamente planificada e coordenada" para demonstrar sua resolução de proteger a população civil da Líbia com o uso "apropriado e proporcional" da força.

"Todos os navios atacados na noite passada eram navios de guerra sem utilidade civil", disse o contra-almirante Russell Harding, subcomandante das operações aliadas na Líbia.

Em Trípoli, um navio ardia em chamas no porto, de onde se elevava uma grande coluna de fumaça, após um ataque por volta da meia-noite (19h Brasília).


Um jornalista da AFP foi levado com outros repórteres pelas autoridades a um ponto em frente ao porto, a um quilômetro do lugar atacado, onde o navio em chamas era visível.

Testemunhas informaram à AFP que ouviram ao menos quatro explosões no porto. "Instalações militares e civis são atualmente alvo de ataques do agressor colonialista cruzado", informou a TV estatal líbia.

Fotógrafo sul-africano

O fotógrafo sul-africano Anton Hammerl morreu baleado pelas forças de Kadafi no mesmo dia de seu desaparecimento, informou sua família nesta sexta-feira. "Em 5 de abril, Anton foi baleado pelas forças de Kadafi em um local muito remoto do deserto líbio. Segundo testemunhas, seus ferimentos eram tão graves que não pôde sobreviver sem atendimento médico", disse sua família em uma nota no Facebook.

O texto indica que a família recebeu na quinta-feira a "devastadora notícia" da morte do fotógrafo. Até então, mantinha esperanças de encontrá-lo vivo, pois autoridades líbias asseguraram que o fotógrafo estava bem. Por esse motivo, a família considera "de uma crueldade intolerável que as autoridades leais a Kadafi soubessem ad morte de Anton todo esse tempo e tenham optado por escondê-la".

O governo da África do Sul reagiu à informação acusando nesta sexta-feira as autoridades líbias de mentir em relação ao destino do fotógrafo. "Tínhamos notícias tranquilizadoras até que seus colegas foram libertados e informaram na quinta-feira que tinha morrido", disse em Pretória a ministra de Relações Internacionais da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane.

A responsável da diplomacia sul-africana manifestou seu desgosto com o fato de a notícia da morte do fotógrafo não ter procedido das autoridades líbias, mas dos jornalistas que o acompanhavam quando morreu em 5 de abril.

A notícia da morte de Hammerl chega depois de terem sido libertados em Trípoli, na quarta-feira, o fotógrafo espanhol Manu Bravo, os repórteres americanos James Foley e Clare Morgana Gillis e o britânico Nigel Chandler.

*Com AFP e EFE

    Leia tudo sobre: LíbiaconflitoOtanrevoltamundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG