Otan acusa regime líbio de usar 'mesquitas e parques como escudo'

Declaração é resposta a acusações de regime líbio de que Aliança estaria alvejando edificações civis no país do norte da África

BBC Brasil |

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A Otan (aliança militar ocidental) acusou as tropas do líder Muamar Kadafi de usar mesquitas e parques de diversão infantis como escudos na Líbia enquanto “atacam brutalmente e sistematicamente” o povo líbio. A declaração é uma resposta a acusações, feitas pelo regime líbio, de que a Otan estaria deliberadamente alvejando edificações civis no país norte-africano.

AFP
Foto tirada em tour do governo líbio mostra mulher segurando foto do líder Muamar Kadafi perto de destroços de universidade em Trípoli, Líbia
Na sexta-feira, o premiê líbio, Al-Baghdadi al-Mahmudi, havia dito que a Otan estava levando o conflito a “um novo nível de agressão” e cometendo “crimes contra a humanidade” ao “atingir prédios civis”. Em comunicado neste sábado, Oana Lungescu, porta-voz da Otan, rejeitou as acusações e disse que a aliança está conduzindo suas operações com “cuidado e precisão para evitar mortes civis”.

A aliança está atacando as forças de Kadafi na Líbia com a anuência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, sob a justificativa de proteger os civis líbios dos ataques do regime. Lungescu acusou as tropas de Khadafi de “bombardear cidades e portos” e de usar instalações como parques e mesquitas para se proteger dos ataques da aliança.

Diplomacia

Ao mesmo tempo, o regime líbio – sob pressão pelos bombardeios da aliança – insiste que está dialogando com os rebeldes do país, que por sua vez negam as conversas. Em entrevista à agência Reuters, os rebeldes disseram também que estão ficando sem dinheiro para manter o combate ao regime de Kadafi, queixando-se de que supostas promessas de doações estrangeiras não se concretizaram.

No campo internacional, reuniram-se no Egito neste sábado representantes da ONU, da União Europeia, da Liga Árabe, da União Africana e da Conferência Islâmica para discutir a crise na líbia. Em comunicado pós-encontro, os representantes pediram “a aceleração do lançamento de um processo político que responda às aspirações legítimas do povo líbio”.

Além disso, a Áustria anunciou planos de reconhecer os rebeldes líbios como governo legítimo da Líbia – medida já adotada por cerca de dez países, entre eles Alemanha, Itália e França.

O Conselho Nacional Transitório (CNT) a ser reconhecido pela Áustria é o braço político das forças que iniciaram uma ofensiva contra o regime de Kadafi, inspirados nos levantes populares que derrubaram os governos de Tunísia e Egito.

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