Otan: 30% da capacidade militar de Kadafi foi destruída

Rebeldes líbios têm primeiro carregamento de petróleo para exportação saído de áreas sob seu controle no leste da Líbia

iG São Paulo |

Cerca de 30% da força militar do regime de Muamar Kadafi foi destruída desde que começou a intervenção internacional na Líbia, informou nesta terça-feira a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O dado diz respeito ao resultado dos ataques realizados tanto pela coalizão liderada pelo Reino Unido, França e Estados Unidos, que iniciou a ação, quanto os desenvolvidos pela própria Aliança Atlântica desde que assumiu o comando da missão.

"A análise é que eliminamos 30% da capacidade militar de Kadafi", disse em entrevista coletiva o general Mark van Uhm, chefe de operações do quartel-general da Otan para a Europa.

AFP
Rebeldes líbios enfrentar forças leais a Kadafi em Brega, na Líbia
Desde que assumiu o controle total das operações, os aviões da Otan já realizaram um total de 851 saídas, 334 das quais ofensivas, embora não tenha efetuado disparos em todas elas. Vários desses ataques ocorreram na região de Misrata, no oeste da Líbia, e em Brega, o enclave petrolífero onde permanece fixada a linha da frente.

Nesta terça-feira, o Tribunal Penal Internacional (TPI) disse ter evidências de que o governo de Kadafi planejou reprimir os protestos no país com a morte de civis antes do início da insurreição na Líbia. Segundo o promotor do TPI, Luis Moreno-Ocampo, os protestos contra o governo iniciados em 15 de fevereiro rapidamente se transformaram em uma guerra civil depois que as forças de Kadafi abriram fogo contra os manifestantes. Em seguida, ele reprimiu os levantes no oeste da Líbia, deixando o leste do país e a cidade de Misrata nas mãos dos rebeldes.

"Temos evidência de que, depois dos conflitos na Tunísia e no Egito em janeiro, as pessoas do regime planejaram como controlar as manifestações dentro da Líbia", disse Moreno-Ocampo à agência Reuters. "Eles escondiam isso das pessoas de fora e planejavam como controlar as multidões...a evidência que temos é de que o tiroteio contra civis foi um plano pré-determinado. O planejamento no início era usar gás lacrimogêneo e (se isso não funcionasse)...atirar", acrescentou ele.

Petróleo

Nesta terça-feira, rebeldes líbios que pedem a saída de Kadafi têm o primeiro carregamento de petróleo para exportação saído de áreas sob seu controle no leste da Líbia.

Testemunhas afirmam que grupos de oposição do país planejam carregar um navio tanque, que irá atracar em um terminal perto de Tobruk, uma das principais cidades portuárias do leste país, perto da fronteira com o Egito.

A produção de petróleo do país, que é o terceiro maior exportador da África, está intermitente desde o início dos conflitos e foi interrompida após a intensificação dos combates e ataques da Otan. Antes dos conflitos, que começaram há dois meses, o país exportava 1,6 milhão de barris por dia.

O navio-tanque deve atracar no terminal de exportação Marsa el-Hariga, perto de Tobruk. Relatos ainda não confirmados dizem que o navio tem bandeira da Libéria e se chama Equator. Ele seria propriedade da empresa Dynacom Management, baseada na Grécia.

Segundo o jornal Lloyd's List, especializado em notícias sobre o comércio marítimo, cerca de 1 milhão de barris de petróleo deverão ser colocados no cargueiro e enviados para o Catar. O país do Golfo reconheceu os rebeldes líbios como o governo legítimo do país, e concordou em comercializar o petróleo de áreas controladas por forças de oposição.

Combates

Também nesta terça-feira, um ataque aéreo ocidental destruiu dois veículos militares das forças de Kadafi na cidade petrolífera de Brega, no leste líbio, permitindo que os rebeldes avancem, apesar de os esforços diplomáticos para encerrar a guerra estarem paralisados em meio a um impasse.

O front de batalha está estagnado no entorno de Brega há quase uma semana. A vantagem dos tanques e da artilharia de Kadafi foi anulada pelos ataques aéreos conduzidos pela Otan.

Após uma série de rápidos avanços rebeldes seguidos por retiradas às pressas, os insurgentes pelo menos mantiveram posição em Brega, colocando seus combatentes mais bem treinados para lutar na cidade e mantendo os desorganizados voluntários à distância.

A Força Aérea dos Estados Unidos revelou nesta terça-feira que o conflito na Líbia custa US$ 4 milhões ao país, mas esses custos deverão ser reduzidos agora que os aviões de guerra americanos retiraram-se das operações de combate. Segundo o secretário da Força Aérea americana, Michael Donley, até hoje o custo das operações aéreas "está provavelmente em torno de US$ 75 milhões".

*Com EFE, Reuters e BBC

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