Órgão rebelde deseja eleições na Líbia dentro de oito meses

Líder do Conselho Nacional de Transição fala sobre planos de futuro democrático para o país após a queda de Kadafi

iG São Paulo |

O líder do Conselho Nacional de Transição líbio (CNT), Mustafa Abdul Khalil, afirmou que o grupo que reúne a oposição líbia pretende realizar eleições em um prazo de oito meses. A declaração foi dada em uma entrevista publicada pelo jornal italiano La Reppublica nesta quarta-feira, um dia depois de os rebeldes terem tomado o quartel-general do líder líbio Muamar Kadafi, cujo paradeiro é desconhecido.

"Serão realizadas eleições legislativas, parlamentares e presidenciais. Queremos um governo democrático e uma Constituição justa. Não queremos continuar isolados do mundo como estivemos até agora", afirmou.

Khalil, que foi ministro da Justiça de Kadafi mas se alinhou aos rebeldes, disse estar convencido de que "a era Kadafi acabou", mas afirmou que "tudo só terminará com sua captura e condenação pelos crimes que cometeu".

Khalil disse que a maior parte da capital líbia, Trípoli, continua nas mãos dos rebeldes, mas acrescentou que restam alguns focos de resistência e uma grande concentração de tropas na região de Sirte, onde Kadafi nasceu.

Khalil reforçou que o CNT pretende realizar "um julgamento justo e na Líbia" tanto para Kadafi quanto para os filhos do líder assim que todos forem capturados. O líder do CNT, que fez parte do governo de Kadafi durante 30 anos, explicou que resolveu passar para o lado da oposição quando o coronel líbio "ordenou disparar contra pessoas desarmadas". "Decidi que não queria manter este cargo nem mais um dia e me pus à disposição dos insurgentes", acrescentou.

Em relação ao futuro da Líbia pós-Kadafi, Khalil destacou que será um país "fundado sobre os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade", e que "terá fortes relações com outros países e será um membro efetivo da comunidade internacional".

"Vamos garantir que sejam respeitados os direitos humanos e o Estado de Direito e que o país contribua para estabelecer a paz e a segurança internacional", declarou. Segundo ele, a nova Líbia manterá "relações especiais" com aqueles países que apoiaram os opositores de Kadafi durante a guerra civil no país.

Com EFE

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