Opositores se retiram de Baba Amr, na cidade síria de Homs

Desertores fizeram 'retirada tática' de bairro rebelde, sob intensa ofensiva das forças leais ao regime de Bashar al-Assad

iG São Paulo |

O Exército Sírio Livre (ESL), que reúne desertores, anunciou nesta quinta-feira uma “retirada tática” de seus combatentes do bairro rebelde de Baba Amr , em Homs, depois de vários dias de combates para tentar conter uma ofensiva terrestre das forças do regime.

"O ESL se retira taticamente de Baba Amr para poupar a vida dos civis", declarou o coronel Riad Assaad, chefe do ESL. "Os soldados estão tentando distribuir comida para a população que foi bloqueada e retirar os feridos", afirmou, antes de acrescentar que o Exército também estava em busca de jornalistas franceses bloqueados, incluindo Edith Bouvier, que está ferida.

AP
Ataque contra o bairro de Baba Amr, na cidade síria de Homs (21/2)
Paralelamente ao anúncio, na capital Damasco uma fonte das forças de segurança sírias leais ao regime do presidente Bashar al-Assad declarou que o Exército sírio assumiu o controle de todo o bairro rebelde de Baba Amr, depois de 26 dias de bombardeios e artilharia.

"O Exército sírio controla todo Baba Amr, caíram todos os últimos focos de resistência", afirmou. "Os rebeldes ainda estão nos bairros de Hamadiyé e Khaldiyé (nordeste de Homs) e as operações para desalojá-los continuarão", acrescentou a fonte.

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De acordo com forças militares sírias, os soldados revisaram “cada rua, túnel e casa, buscando armas e homens armados”.

Durante os confrontos em Baba Amr, nesta quinta-feira, ao menos 17 civis foram mortos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Em comunicado, o grupo opositor Comitês de Coordenação Local (CCL) informou que seis dos mortos pertencem a mesma família. 

Depois de dizer que está cada vez mais difícil ajudar civis em Homs, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou nesta quinta-feira ter conseguido sinal verde do governo sírio para entrar no bairro de Baba Amr para fornecer ajuda, alimentos e mesmo retirar feridos de Baba Amr. Na sexta-feira, a Cruz Vermelha, que trabalha com o Crescente Vermelho sírio, disse ter conseguido remover do bairro sitiado apenas sete feridos graves e 20 mulheres e crianças. De acordo com o porta-voz Bijan Farnoudi, observa-se "uma falta preocupante de comida e remédios", e muitas pessoas precisam de atendimento médico.

Na terça-feira, o subsecretário-geral da ONU para assuntos políticos, B. Lynn Pascoe, disse que a violência na Síria deixou mais de 7,5 mil mortos . Segundo ele, são mais de 100 civis mortos por dia no conflito.

Resolução

Também nesta quinta-feira, o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a violência contra civis na Síria. Em mais um sinal da forte pressão internacional sobre a Síria, Reino Unido e Suíça anunciaram a retirada de suas equipes diplomáticas do país por questões de segurança. Os Estados Unidos anunciaram o fechamento de sua embaixada em Damasc o no mês passado.

A resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU condena “as generalizadas e sistemáticas violações” contra civis na Síria foi proposta pela Turquia e aprovada por 37 países. Rússia, China e Cuba votaram contra, três países se abstiveram e quatro não participaram da votação.

O texto exige que a Síria ponha fim imediatamente aos ataques contra civis e dê total acesso às organizações humanitárias. A resolução também apoia uma investigação contra possíveis crimes contra a humanidade e outros graves abusos no país, para que os responsáveis sejam punidos.

O representante da Síria no Conselho de Direitos Humanos, Faysal Khabbaz Hamoui, não estava presente durante a votação. Na terça-feira, ele deixou uma reunião do órgão acusando-o de apoiar o terrorismo e prolongar a crise em seu país.

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A resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que tem sede em Genebra, não tem peso legal, mas é considerada por diplomatas como um passo que pode encorajar a aprovação de uma resolução similar no Conselho de Segurança da organização – vetadas duas vezes por Rússia e China .

“Vamos esperar que aqueles que votaram contra a resolução hoje vejam como estão isolados em relação à comunidade internacional”, disse o embaixador do Reino Unido em Genebra, Peter Gooderham. “Esperamos que essa votação tenha impacto em Pequim, Moscou e, é claro, em Damasco.”

*Com EFE, AP e AFP

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