Opositores entram em um dos últimos redutos de Kadafi

Antes de expirar o prazo dado para a rendição, forças do Conselho Nacional de Transição iniciam tomada da cidade de Bani Walid

BBC |

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As forças de oposição na Líbia afirmaram nesta sexta-feira ter entrado na cidade-chave de Bani Walid, no noroeste do país, após forte resistência das tropas leais ao coronel Muamar Kadafi.

A tomada da cidade é considerada importante, já que ela é uma dos últimos quatro redutos ainda em poder do governante deposto.

Reuters
Um membro das forças anti-Kadafi acena enquanto seu carro parte para a linha de frente da cidade de Bani Walid

Comandantes do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes que tenta firmar-se como o novo governo líbio, disseram que seus homens estão a poucos quilômetros do centro da cidade e devem tomá-la completamente nas próximas horas.

Neste sábado, vence o ultimato dado pelos opositores para que Bani Walid e as outras três cidades ainda controlada por Khadafi se rendam pacificamente.

Membros do CNT disseram ainda que há civis tentando escapar de Bani Walid, mas estavam sendo impedidos pelas forças do coronel líbio.

Foguetes

O correspondente da BBC Richard Galpin, que está próximo ao local, relata que é possível ver fumaça das explosões dos foguetes, que deixaram pessoas feridas, e que há relatos de que franco-atiradores foram posicionados na cidade.

Os ataques, diz Galpin, são um sinal de que os aliados de Kadafi não parecem ter a intenção de se render até este sábado – prazo dado pelo CNT.

Quatro pessoas teriam morrido em Bani Walid até a noite de sexta-feira, incluindo dos soldados de Kadafi.

O Conselho, que prometera atacar a cidade caso a rendição não aconteça, afirmou que não pretende estender o prazo do ultimato.

Há relatos de confrontos também nos arredores de Sirte, cidade natal de Khadafi e outro bastião do coronel.

Já na capital Trípoli, dezenas de milhares de pessoas participaram de uma manifestação para lembrar as pessoas mortas pelos soldados de Khadafi em 25 de janeiro, no início das revoltas no país.

O correspondente da BBC Peter Biles, que está em Trípoli, afirmou que a cidade está tomada por uma imensa "passeata da vitória", com os moradores agitando bandeiras das cores dos opositores.

Alerta vermelho

Também nesta sexta-feira, a Interpol emitiu um alerta vermelho de busca por Kadafi, seu filho Saif al-Islam e seu chefe de inteligência.

Os três – cujos paradeiros são desconhecidos – são procurados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede na Holanda, para responder a acusações de crimes contra a humanidade durante a repressão aos rebeldes.

A Interpol disse em comunicado que o novo mandado de prisão "vai restringir significativamente a habilidade dos três homens de cruzar fronteiras internacionais".

O alerta vermelho é usado pela Interpol para advertir países-membros sobre pessoas procuradas e dar aos governos amparo legal para prender os fugitivos se estes estiverem em seu território.

Kadafi prometeu não deixar a Líbia e manter a luta pelo poder, mas há boatos de que ele teria escapado para Níger, algo que o governo do país vizinho nega.

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