Oposição síria pede proteção internacional para civis de Homs

Conselho Nacional Sírio diz que cidade alvo de operação militar há cinco dias se tornou "área de desastre"

iG São Paulo |

AP
Imagem de fotógrafo amador mostra protesto em Homs (04/10)
O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne grupos de oposição ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad, pediu nesta segunda-feira proteção internacional à população civil de Homs, transformada em “área de desastre” por causa das operações das forças de segurança.

Homs, terceira maior cidade da Síria e palco de alguns dos mais intensos protestos contra Assad, é alvo de uma operação militar há cinco dias que deixou dezenas de mortos, de acordo com ativistas.

“Pelo quinto dia consecutivo o regime sírio está impondo um ataque brutal contra a brava cidade de Homs, tentando acabar com a determinação dos moradores que ousaram rejeitar a autoridade do regime”, afirmou o CNS, em comunicado.

No texto, o grupo pede que a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização da Conferência Islâmica e as organizações internacionais árabes "atuem para conter o massacre, dando proteção aos civis".

Segundo o CNS, a operação militar impede a entrada de alimentos e medicamentos em Homs, assim como a movimentação dos moradores.

“A população está sendo aterrorizada com todo tipo de arma”, afirmou um porta-voz, Hozan Ibrahim.

Alguns dos combates mais intensos acontecem no bairro de Bab Amro, onde desertores do Exército buscaram refúgio. De acordo com a ONU, a repressão aos protestos na Síria, que duram oito meses, deixou cerca de 3 mil mortos.

No fim de semana, o chefe da Liga Árabe disse que a organização estava muito preocupada com a violência na Síria e pediu a Damasco que cumprisse as medidas acordadas nesta semana com os países árabes para proteger civis.

O acordo com a Liga Árabe previa que o governo da Síria acabasse com a violência, libertasse os detidos durante os protestos e abrisse suas fronteiras à vigilância de observadores árabes e da imprensa internacional.

Novo grupo de oposição

Um novo grupo de oposição apoiado pelo ex-vice-presidente de Assad, Abdul-Halim Khaddam, informou nesta segunda-feira que queria unificar as várias vertentes de oposição e usar "todos os meios" necessários para derrubar o líder sírio.

O Comitê Nacional de Apoio à Revolução Síria foi revelado em Paris nesta segunda-feira com 65 membros fundadores, incluindo advogados, empresários e médicos, bem como Khaddam, que serviu Assad e seu pai, Hafez al-Assad, por quase 30 anos.

O grupo, que ainda tem de fazer contato com outros grupos de oposição, como o CNS, disse que tinha ficado frustrado com a incapacidade dos vários grupos de oposição de se unir e citou a falta de uma figura emblemática como principal obstáculo para animar os sírios.

"Esse comitê não está competindo com ninguém", disse Khaddam, que fugiu para Paris em 2005. "Nós não queremos desacreditar o CNS ou seus membros e respeitamos todos que estão trabalhando para acabar com os massacres, mas por enquanto a oposição não está unida ... e apesar de todas essas iniciativas não temos uma mensagem clara para derrubar o regime."

Khaddam tentou há quatro anos estabelecer um governo em exílio, mas se desentendeu com outros grupos de oposição. Ele enfrenta ampla desconfiança entre os dissidentes da Síria, que lembram de seu tempo no governo. "Vamos apoiar a oposição usando todos os meios dentro ou fora do país", disse.

Com Reuters e AP

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