Oposição síria pede boicote a referendo em mais um dia de violência

China anuncia que vice-chanceler vai visitar Damasco; outro reduto da oposição, Deraa, ao sul do país, é alvo de ofensiva

iG São Paulo |

Os membros da oposição síria defenderam nesta quinta-feira um boicote ao referendo previsto para o dia 26 de fevereiro sobre uma nova Constituição , pois consideram que o texto mantém o mesmo espírito da atual lei fundamental e concede ao presidente prerrogativas absolutas.

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AP
Ativista anti-Assad Khaled Abu-Salah para em frente à fumaça preta lançada após explosão de oleoduto em Baba Amr, Homs (15/2/2012)

"O projeto de Constituição consagra em seu prólogo e em alguns artigos o espírito do texto atual", afirmam em um comunicado os Comitês Locais de Coordenação, que coordenam e registram fatos dos protestos.

"(O projeto) outorga ao presidente da República prerrogativas absolutas, o eleva ao status de líder absoluto e eterno, permite a reprodução do regime e não garante, assim como a Constituição atual, a separação dos poderes", completa o texto.

Os Comitês acrescentam um pedido ao povo, que rejeitasse o projeto e boicotasse o referendo para insistir na realização dos objetivos da "nossa revolução", de fazer cair o regime do presidente Bashar al-Assad.

"O regime brinca com a vontade dos sírios, porque não existem as condições necessárias para a convocação do referendo. Aqueles que elaboraram o projeto não são legítimos", conclui o texto, em referência ao regime de Assad e à repressão contra a revuelta que dura 11 meses.

Assad anunciou na quarta-feira um referendo para 26 de fevereiro sobre uma nova Constituição, com base no pluralismo e suprimindo qualquer referência ao partido Baath, que governa a Síria há quase 50 anos. O fim da supremacia do Baath era uma exigência da oposição, que também deseja a renúncia de Assad.

Segundo o novo texto, o presidente terá a prerrogativa de nomear o primeiro-ministro e membros do governo. A oposição exige que o posto seja ocupado por alguém da maioria parlamentar.

Também nesta quinta-feira, a China anunciou que vai enviar seu vice-chanceler, Zhai Jun, a Damasco, ampliando seu esforço para mediar a crise no país, que deixou mais de 5,4 mil mortos até janeiro, segundo a ONU. Essa medida ocorre depois de Pequim ter recebido fortes críticas dos países ocidentais e árabes por ter vetado, junto à Rússia, uma resolução da ONU que apoiava o plano da Liga Árabe que pedia a renúncia de Assad.

Em Pequim, Zhai disse que a China não aprova uma intervenção armada ou que a mudança de regime na Síria ocorra de maneira forçada. Em entrevista divulgada no site do Ministério das Relações Exteriores chinês, ele condenou a violência contra civis e pediu ao governo que respeite a legitimidade de seu povo que pede por reformas.

Ele acrescentou que a aplicação ou ameaça de sanções não "conduzem a uma resolução apropriada da questão". Uma porta-voz da chancelaria chinesa não afirmou se Zhai se encontrará com membros da oposição durante os dois dias da visita, que começa na sexta-feira.

"Eu acredito que a mensagem dessa visita é que a China espera por uma resolução pacífica e apropriada para a situaçãp na Síria, e que os chineses terão um papel construtivo de mediaçaõ", disse Liu Weimin. Na semana passada, Zhai teve um encontro com uma delegação opositora da Síria em Pequim.

Violência

Na Síria as forças do governo lançaram um novo ataque em Deraa, no sul do país, outro reduto da oposição que se rebela com o governo desde março do ano passado.

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Há também registros de violência na fronteira com o Iraque e em Kfar Nabuda, na província central de Hama, onde um número considerável de civis e de soldados rebeldes - que desertaram do Exército de Assad e foram para o lado rebelde - foram mortos.

De acordo com o relato de ativistas, cerca de 20 foram mortos no país na quinta-feira. Há também registros de mais ataques do governo em Homs, que junto à Hama foi atingido com grandes ofensivas das tropas do governo.

Em entrevista à rede britânica BBC, o príncipe Hassan da Jordânia disse que havia o perigo da Síria se dividir, uma vez que é formada por vários grupos étnicos e linhas religiosas, e cada grupo "teme pelo seu futuro".

Com AFP e Reuters

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