Oposição síria denuncia prisão de blogueira em Damasco

Razan Ghazzawi teria sido presa pelas tropas do governo junto a Mazen Darwich, diretor de órgão que luta pela liberdade de expressão

iG São Paulo |

O diretor do Centro Sírio para os Meios de Comunicação e a Liberdade de Expressão, Mazen Darwich, e a blogueira Razan Ghazzawi foram detidos nessa quinta-feira pelas forças de segurança sírias em seu escritório em Damasco, afirmaram opositores.

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AFP
Blogueira síria Razan Ghazzawi em localidade desconhecida (foto de arquivo)

"Por volta das 14h (10h de Brasília), membros dos serviços de segurança invadiram o Centro Sírio para os Meios de Comunicação em Damasco e detiveram Mazen Darwich, sua esposa e um funcionario", indicou Louai Hussein, em Damasco. "Não sabemos quais são as acusações contra ele", acrescentou.

Já o advogado de Direitos Humanos, Anwar al-Bounni, indicou que Razan Ghazzawi, blogueira que se tornou um dos símbolos da revolta no país, também havia sido detida no mesmo local junto a Darwich e outros 12 ativistas.

Bounni disse que Razan, que nasceu em Miami, na Flórida, foi detida no início da tarde na mesma operação das forças de segurança no Centro Sírio para os Meios de Comunicação e a Liberdade de Expressão. "Nós, do Centro Sírio de Estudos Legais, condenamos essas detenções e pedimos que as autoridades sírias os libertem imediatamente," indicou Bounni em um comunicado.

Darwich já havia sido detido no dia 16 de março de 2011 quando assistia a um protesto pacífico diante do Ministério do Interior, em Damasco, segundo informou a Repórteres Sem Fronteiras. Uma semana depois, foi convocado por ter feito declarações sobre as detenções na Síria e sobre os incidentes em Deraa, no sul, havia informado o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Mazen Darwich, 38 anos, dirige o Centro Sírio para os Meios de Comunicação e a Liberdade de Expressão, oficialmente fechado há quatro anos, mas que segue funcionando sem autorização. Ele também é membro da Repórteres Sem Fronteiras.

Em outro episódio de violência contra lideranças, um "grupo terrorista armado" matou na quarta-feira à noite um imã que voltava para a sua casa perto da capital, informou nesta quinta a agência oficial Sana. Ele é um dos poucos religiosos assassinados desde o começo da revolta contra o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, em março de 2011.

"Um grupo terrorista armado matou na quarta-feira à noite com tiros de metralhadora o imã Ahmad Sadek, de uma mesquita de Damasco, quando voltava para casa de carro, em Buaida", na província de Damasco, ressaltou a Sana. O imã, de 37 anos, atuava em uma mesquita do bairro de Midan, em Damasco. Era casado e tinha quatro filhos.

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A violência contra opositores ocorre no mesmo dia em que membros da oposição síria defenderam um boicote ao referendo previsto para 26 de fevereiro sobre uma nova Constituição, por considerarem que o texto mantém o mesmo espírito da atual lei fundamental e concede ao presidente prerrogativas absolutas.

"O projeto de Constituição consagra em seu prólogo e em alguns artigos o espírito do texto atual", afirmam em um comunicado os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que coordenam os protestos. "Outorga ao presidente da República prerrogativas absolutas, o eleva ao status de líder absoluto e eterno, permite a reprodução do regime e não garante, assim como a Constituição atual, a separação dos poderes."

Assad anunciou na quarta-feira um referendo para 26 de fevereiro sobre uma nova Constituição, com base no pluralismo e suprimindo qualquer referência ao partido Baath, que governa a Síria há quase 50 anos. O fim da supremacia do Baath era uma exigência da oposição, que também deseja a renúncia de Assad.

Também nesta quinta-feira, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas se prepara para votar em uma resolução que condena as violações dos direitos humanos na Síria e pede para um fim na violência do país.

Saiba mais: Projeto de resolução para condenar Síria alcança Assembleia Geral

A iniciativa, apoiada pelos países árabes, é o último estágio entre as tentativas internacionais para mediar o fim da crise. O texto também pede para que o presidente Assad saia do poder.

Mais cedo, a China, que junto à Rússia, vetou uma resolução prévia no Conselho de Segurança da ONU, anunciou que enviaria um diplomata a Síria. O vice-chanceler Zhai Jun irá à capital, em Damasco, na sexta-feira, no que Pequim caracterizou como uma tentativa de encontrar uma resolução "pacífica e apropriada" para o conflito.

Os grupos de Direitos Humanos dizem que 7 mil civis foram mortos na Síria desde que a revolta contra Assad teve início em março. Ao menos 40 foram mortos na quinta-feira, segundo ativistas.

Com AP e Reuters

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