Oposição síria convoca protestos para testar cessar-fogo

Manifestações marcadas para sexta-feira buscam mostrar se regime de Assad está comprometido com trégua

iG São Paulo |

A oposição síria convocou protestos para sexta-feira em todo o país para testar o compromisso do regime do presidente Bashar Al-Assad com o cessar-fogo negociado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Liga Árabe. A trégua, que começou nesta quinta-feira, foi descrita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon como “tão frágil que pode entrar em colapso com um único tiro”.

Leia também: Violência diminui na Síria, mas ainda ameaça frágil cessar-fogo

As forças de segurança suspenderam os ataques na madrugada desta quinta-feira, mas não retirou tropas das cidades, ignorando parte do acordo negociado pelo enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan. Oposição e governo trocaram acusações sobre violações do cessar-fogo, denunciando mortes.

Burhan Ghalioun, líder do Conselho Nacional Sírio, órgão que reúne a oposição síria, convocou a população a marchar pacificamente em várias cidades.

“Amanhã, como em todas as sextas-feiras, o povo está convocado a se manifestar e colocar o regime e a comunidade internacional diante de suas responsabilidades.

Os protestos contra Assad começaram há mais de um ano, mas nunca ganharam a mesma força dos manifestantes egípcios por causa da brutal repressão das forças de segurança.

“O teste do cessar-fogo acontecerá quando as manifestações se espalharem”, afirmou Salman Shaikh, diretor do Brookings Doha Center. “Será que o regime está disposto a aceitar centenas de milhares nas ruas nos próximos dias?”

Nesta quinta-feira, Annan fez um apelo para que o Conselho de Segurança da ONU envie uma missão observadora para garantir a permanência do cessar-fogo e exigir que Assad retire as tropas das ruas. A ideia é enviar cerca de 20 ou 30 monitores depois de adotada uma resolução do Conselho, o que pode acontecer na sexta-feira.

Ban Ki-moon disse que a situação no momento parece calma, mas o cessar-fogo iniciado nesta quinta-feira é “muito frágil” e pode ser quebrado a qualquer momento. Segundo Ban, a responsabilidade e o ônus são da Síria para manter a promessa de cassar-fogo do governo. Ele disse ainda que o país deve provar ao mundo que anseia por paz.

A ONU afirma que nove mil pessoas já morreram desde março do ano passado, quando começou a violência entre manifestantes e governo na Síria.

Com AP e BBC

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