Oposição síria anuncia a criação de um Conselho Nacional

Ativistas apresentaram na Turquia o novo conselho e afirmaram que se opõem à intervenção externa para derrubar regime de Assad

iG São Paulo |

Ativistas de oposição na Síria anunciaram nesta quinta-feira a criação de um conselho para formar uma frente unida contra o regime do presidente Bashar al-Assad, que está enfrentando protestos há seis meses.

A oposição é formada por vários grupos com diferentes ideologias. Mas alguns ativistas garantem que o novo Conselho Nacional Sírio, anunciado durante um encontro na Turquia, é a iniciativa mais séria até o momento e consegue reunir as forças revolucionárias.

AP
Bassma Kodmani anuncia criação do Conselho Nacional Sírio em Istambul, na Turquia

O conselho agrupa 140 membros, incluindo exilados e 70 dissidentes dentro da Síria, afirmou Bassma Kodmani, exilada síria que vive em Paris. O Conselho revelou a identidade de 72 integrantes, preferindo manter o anonimato de outros membros, por razões de segurança. Kodmani acrescentou que o conselho se "opõe categoricamente" a qualquer intervenção externa ou operação militar para derrubar o regime de Assad. "Estamos de acordo quanto à natureza pacífica da revolução."

Os opositores afirmaram sua unidade em torno de três princípios: a continuação da luta até a queda de Assad, a utilização de meios pacíficos e a integridade territorial da Síria.

O Conselho ainda não nomeou um presidente. "Ainda não há presidente, porque estamos num processo democrático. Trata-se de uma reunião inaugural", acrescentou Yasser Tabbara, um dos membros.

Canadá, Holanda, Japão e Sudão enviaram diplomatas como observadores à conferência, ressaltou Obeida Nahas, membro do conselho.

O novo conselho de oposição quer "transmitir os problemas do povo sírio para a comunidade internacional, para assim formar um Estado plural e democrático", disse um comunicado. É esperado também que a organização derrube "a liderança que está governando através de uma ditadura e unir políticos proeminentes sob um só movimento".

A razão para a oposição ter demorado para organizar seu conselho, segundo um dos integrantes, Adib Shishakli, foi que "nós queríamos ter certeza que todos estavam participando". Ele também garantiu que um líder será eleito em breve.

Ahmad Ramadan, outro membro da oposição, garantiu que o conselho formará dez repartições, incluindo uma de relações exteriores dedicada a "afinar as exigências da revolução, os pedidos da população com o resto do mundo".

Louay Safi, um exilado nos Estados Unidos, afirmou que o conselho inclui sunitas, xiitas, alawites, curdos e membros da Irmandade Muçulmana. A organização é "aberta para todos com exceção aos contrários à democracia", afirmou.

Uma revolta popular teve início na Síria em março, na mesma onda de movimentos anti-governistas no mundo árabe que já derrubaram regimes na Tunísia e Egito. Assad reagiu com mão de ferro e, segundo estimativas da ONU, cerca de 2,6 mil foram mortos.

Manifestações

A oposição também convocou protestos para sexta-feira em todo país até a queda do regime, no dia em que o início da revolta popular no país completa seis meses. "Eles nos massacaram, mas estamos mais determinados do que nunca. Nos colocam na prisão, mas estamos mais determinados que nunca. A revolução explodiu e só será interrompida quando o regime for derrubado", afirma o texto publicado no site The Syrian Revolution.

Desde terça-feira, tropas sírias têm realizado ataques nos subúrbios de Damasco, na província central de Homs e na região noroeste do Idlib, que faz fronteira com a Turquia.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, afirmou que os ataques da força de segurança no subúrbio de Zabadani, em Damasco, deixou um morto e cinco feridos. O grupo afirma que um paramédico que foi ferido na semana passada morreu a caminho do hospital na terça.

As forças de segurança realizaram 126 prisões em Zabadani e Madaya, situadas a 50 km de Damasco, segundo o OSDH.

Na região de Jabal al-Zauia, noroeste do país, as tropas cortaram as comunicações da cidade de Saraqueb. Na noite de quarta, vários protestos tomaram conta de bairros de Damasco, como Homs, Deraa e na província de Idleb.

* Com AFP e AP

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