Oposição rejeita decreto de líder sírio sobre sistema multipartidário

Segundo fonte ouvida pela BBC, medida de Assad é uma tentativa de desviar a atenção da violenta repressão aos protestos

iG São Paulo |

Reuters
Imagem de vídeo postado na internet que diz mostrar tanque em Hama (03/08)
Ativistas sírios rejeitaram um decreto do presidente Bashar al-Assad para permitir partidos opositores depois de décadas de governo do Partido Baath. Segundo uma fonte ouvida pela BBC, a medida é uma tentativa de desviar a atenção da violenta repressão aos protestos, iniciados em 15 de março.

À Associated Press, um residente disse que cerca de 250 pessoas morreram em Hama, noroeste do país, desde domingo. Com base em relatos de residentes que fogem de Hama, Hozan Ibrahim, dos Comitês Locais de Coordenação - que monitoram a repressão contra os manifestantes -, disse que até 30 morreram só na quarta-feira. Mas nenhum dos números pôde ser confirmado com fontes independentes.

Nesta quinta-feira, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse que Assad arrisca ter um "triste destino" se não implementar reformas e se reconciliar com seus opositores. "Ele (Assad) precisa urgentemente executar as reformas, reconciliar-se com a oposição, restaurar a paz e estabelecer um Estado moderno", disse Medvedev à rádio russa Ekho Moskvy, à televisão Russia Today e à PIK-TV, da Geórgia. "Se não fizer isso, enfrentará um triste destino", afirmou no resort de Sochi, no sul da Rússia.

O anúncio de Assad foi feito um dia após o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado uma declaração, com o apoio russo, que condena o governo Assad pela violenta repressão às manifestações pró-democracia no país.

Em julho, o governo sírio havia anunciado um projeto de lei sobre o sistema multipartidário, que poria fim a décadas de controle absoluto do cenário político sírio pelo Partido Baath de Assad. O fim do sistema de partido único era uma das principais reivindicações dos manifestantes.

Consenso na ONU

A declaração referendada na quarta-feira pelo Conselho de Segurança, formado por 15 países-membros da ONU, incluindo o Brasil,  condena a "violação generalizada dos direitos humanos e o uso da força contra civis pelas autoridades sírias".

O Líbano, que está na esfera de influência da Síria, decidiu se desassociar do texto final, lançando mão de um procedimento que não era usado no órgão havia décadas.

A ONU também pede "o fim imediato de toda violência" na Síria e chama as partes a "agir com máxima moderação e se abster de represálias, incluindo ataques contra instituições do Estado". Essa foi a primeira declaração condenando a repressão dos protestos por parte do regime de Assad.

'Pilhas de corpos'

Tropas e tanques sírios teriam avançado nesta quarta-feira para o centro da cidade de Hama, segundo testemunhas, colocando fim a semanas de protestos contra o governo.

Testemunhas disseram que boa parte da cidade está sitiada é há corpos empilhados pelas ruas. Também há relatos de que famílias que tentavam deixar a cidade eram baleadas e obrigadas a retornar.

Pessoas que conseguiram fugir disseram que a situação é pior do que nos anos 1980 , quando o então presidente Hafez Assad, pai de Bashar, deixou pelo menos 10 mil mortos na repressão a protestos.

Jornalistas estrangeiros raramente têm acesso aos acontecimentos do país, tornando difícil confirmar as informações passadas por testemunhas e ativistas da oposição.

"O regime está aproveitando que o foco da mídia está no julgamento de Hosni Mubarak (que começou nesta quarta-feira no Egito) para acabar com a nossa cidade", disse um morador de Hama à agência Reuters, por meio de um telefone por satélite.

A comunicação com a cidade foi completamente cortada, assim como o fornecimento de água e energia.

*Com BBC e Reuters

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