Oposição protesta na Argélia e dezenas de pessoas são detidas

20 mil policiais tomaram as ruas da capital, Argel, para conter as manifestações

iG São Paulo |

Dezenas de pessoas foram detidas neste sábado quando participavam de manifestações na Argélia contra o regime político do presidente Abdelaziz Bouteflika. Entre os detidos estão vários dirigentes da Coordenação Nacional pela Democracia e Mudança (CNCD), grupo que convocou os protestos, bem como ativistas dos direitos humanos, sindicalistas e jornalistas.

Fodiol Bumala, um dos fundadores da CNCD, e o deputado opositor Othman Mazuz foram presos. Entre os manifestantes, que gritavam "Argélia livre", estavam Said Sadi, presidente do partido opositor Assembleia pela Cultura e a Democracia (RCD), e o líder islâmico Ali Belhadj, do partido dissolvido Frente Islâmica de Salvação (FIS).

Em Argel, 20 jovens desafiaram os manifestantes e declararam apoio ao presidente argelino Abdelaziz Buteflika. Eles gritavam "Buteflika não é Mubarak". Em Oran, a grande cidade do oeste da Argélia, 400 pessoas, incluindo vários artistas, se reuniram na Praça Primeiro de Novembro. A polícia prendeu alguns manifestantes, incluindo o jornalista Djafar Bensaleh, do jornal El Jabar.

Reuters
Manifestantes protestam contra governo na Argélia. Cerca de 50 pessoas que se reuniram na praça principal da capital do país foram cercadas pela polícia

Mais de 20 mil integrantes da polícia de choque foram deslocados para a capital, Argel, e posicionaram veículos blindados e canhões d'água no centro da cidade, além de bloquear ruas e estradas de acesso para evitar a chegada de ônibus com mais manifestantes.

Cerca de 2.000 manifestantes forçaram a barreira policial imposta na Praça Primeiro de Maio de Argel, ponto de partida de uma passeata convocada pela oposição e considerada ilegal pelo governo. Os manifestantes foram bloqueados pela polícia.

Na noite dessa sexta-feira, a polícia interveio quando uma multidão tomou as ruas para comemorar a saída do presidente egípcio, Hosni Mubarak. Os recentes protestos no Cairo e na Tunísia são tidos como os eventos que inspiraram a mobilização dos argelinos contra o governo.

Argel já teve confrontos entre manifestantes e policiais em janeiro deste ano, em meio a protestos contra o desemprego, os preços dos alimentos e as más condições de moradia.

Os protestos populares são proibidos na Argélia devido a um estado de emergência que dura desde a guerra civil de 1992. No início de fevereiro, o presidente afirmou que esta situação seria suspensa "em um futuro muito próximo".

Bouteflika fez a declaração em uma reunião com ministros, segundo a mídia estatal. Ele afirmou que os protestos seriam tolerados em qualquer parte do país, menos na capital.

Repressão

A situação na Argélia é semelhante à de outros países árabes, como o Egito. Bouteflika, 73 anos, está na Presidência desde 1999 e é acusado por muitos de se manter no poder por meio de um regime repressivo. Desemprego, falta de habitação e corrupção aumentam a insatisfação dos argelinos.

Nos anos 1990, a política na Argélia foi dominada por uma luta entre os militares e grupos muçulmanos. Em 1992, uma eleição geral vencida por um partido islâmico foi anulada, levando a uma sangrenta guerra civil que deixou mais de 150 mil mortos.

A lembrança deste conflito, em que pessoas eram decapitadas em plena luz do dia, pode "diminuir o apetite dos argelinos por um levante político".

* Com informações da BBC, EFE e da AFP

    Leia tudo sobre: ArgéliaManifestaçãoAbdelaziz Bouteflikarevolta

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG