Oposição pede que ONU autorize ataques contra forças de Kadafi

Apelo é feito enquanto rebeldes lutam para manter controle de importante cidade portuária; confrontos teriam deixado cinco mortos

iG São Paulo |

A oposição líbia, que controla a região oriental do país, pediu nesta quarta-feira à ONU que autorize bombardeios contra as forças leais ao líder líbio, Muamar Kadafi, indicou um porta-voz opositor.

"Pedimos às Nações Unidas e a todos os organismos internacionais que autorizem ataques aéreos contra posições e redutos de mercenários", declarou o porta-voz dissidente, Abdel Hafiz Ghoqa, em Benghazi, cidade no leste do país que é o epicentro do levante contra Kadafi.

Ele indicou que os mercenários são provenientes de países como Níger, Mali e Quênia, e foram recrutados por Kadafi para contra-atacar as rebeliões do país.

O apelo foi feito enquanto forças do líder líbio tentavam retomar o controle da importante cidade portuária petrolífera de al-Brega, no leste do país, que está sob controle opositor desde 24 de fevereiro. A ofensiva levou os rebeldes a fazer um alerta de que ajuda militar estrangeira pode ser necessária para "colocar o prego no caixão" de Kadafi, que está no poder desde 1969. Os confrontos deixaram pelo menos cinco mortos.

AFP
Rebeldes líbios em Ajdabiya comemoram notícia de que opositores retomaram controle de cidade próxima, Brega

Há informações de que um avião da força aérea de Kadafi bombardeou uma praia próxima de onde oponentes do regime e partidários do governo estão em confronto no campus de uma universidade da cidade. Segundo testemunhas, os partidários do líder chegaram a controlar a refinaria de petróleo de Brega nesta quarta-feira, mas, depois, os rebeldes teriam retomado o controle de toda a cidade. A cidade está sob controle opositor desde 24 de fevereiro.

A TV estatal líbia, porém, contradisse os rebeldes e disse que as forças pró-Kadafi controlam o aeroporto e o porto de Brega. Um repórter da emissora árabe Al-Jazeera que está em Ajdabiya, a 75 km de Brega, disse que milhares de moradores estão se preparando para ajudar os rebeldes na cidade vizinha.

As forças militares entraram em Brega com tanques e artilharia pesada, ocupando um bairro residencial. Segundo testemunhas, houve combates intensos no local e também no porto da cidade.

O assalto na cidade portuário foi a primeira grande contraofensiva do regime no leste rebelde do país, onde a população com apoio de unidades desertoras do Exército se rebelaram e expulsaram o poder de Kadafi durante as duas últimas semanas.

Na semana passada, as forças pró-Kadafi se concentraram no oeste, assegurando seu reduto na capital do país, Trípoli, e tentando retomar cidades rebeldes próximas com pouco sucesso.

Ajdabiya, no nordeste da Líbia, também foi alvo de ataque nesta quarta-feira. Segundo um líder tribal, jatos das forças de segurança bombardearam um depósito de armas na cidade, que há alguns dias é controlada pelos rebeldes.

Segundo a Al-Jazeera, as forças rebeldes líbias conseguiram derrubaram um avião militar das brigadas leais a Kadafi. Conforme o canal, o avião foi derrubado quando bombardeava a cidade, a 200 quilômetros ao oeste de Benghazi, a segunda maior do país, em poder das forças rebeldes.

Os rebeldes disseram que pretendem pedir ajuda militar estrangeira, um tema sensível para os países ocidentais, desconfortavelmente cientes de que o Iraque sofreu anos de derramamento de sangue e violência da Al-Qaeda depois da invasão dos EUA e seus aliados, em 2003, para derrubar o ditador Saddam Hussein.

"Provavelmente pediremos ajuda externa, possivelmente bombardeios aéreos em locais estratégicos, para colocar o prego no caixão dele (Kadafi)", disse à Reuters Mustafa Gheriani, porta-voz da coalizão rebelde 17 de Fevereiro.

Kadafi faz pronunciamento

Em meio às notícias desencontradas sobre os confrontos em Brega, Kadafi fez um pronunciamento em Trípoli, durante uma cerimônia que marca os 34 anos da transferência do poder para o povo. Segundo Kadafi, em 2 de março de 1977, ele e os demais militares que derrubaram a monarquia em 1969 deixaram de exercer o poder.

"Nós colocamos nossos dedos nos olhos daqueles que duvidam que a Líbia seja governada por alguém que não seja o povo", disse ele, sob os aplausos de dezenas de pessoas.

"Não somos um regime presidencial ou uma monarquia. Desafio qualquer pessoa que diz que eu exercito o poder", afirmou. "A autoridade e o poder estão nas mãos do povo, e apenas nas mãos do povo". O líder acrescentou que o sistema líbio "não é compreendido pelo mundo".

Apelo da ONU

A ONU fez um apelo por uma retirada em massa de pessoas que estão tentando cruzar a fronteira entre a Líbia e a Tunísia, alegando que a situação na região atingiu "um ponto crítico".

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse que milhares de vidas estão em risco. A Tunísia já teria recebido 75 mil pessoas vindas da Líbia desde o início da crise no país vizinho, e outras 40 mil pessoas ainda estariam esperando para atravessar a fronteira.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados e a Organização Internacional para a Migração pediram que os governos realizem "uma retirada em massa de dezenas de milhares de egípcios e outros cidadãos estrangeiros" e forneçam "um grande apoio financeiro e logístico, incluindo aviões, barcos e pessoal especializado".

Trabalhadores vietnamitas, indianos, turcos, tunisianos, chineses e tailandeses fazem parte do grupo preso na fronteira entre a Líbia e a Tunísia, muitos deles em um estado de exaustão.

Na terça-feira, guardas tunisianos tiveram de atirar para o alto em uma tentativa de controlar a multidão. "Precisamos de ações concretas para providenciar assistência humanitária e médica. O tempo é precioso. Milhares de vidas estão em risco", disse Ban Ki-Moon.

Com AP, AFP, Reuters e BBC

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