Oposição ocupa prédios na capital iemenita e entra em confronto com tropas

Seguidores de chefe tribal e opositores entraram em escritórios de agência de notícias, do Ministério do Interior e de companhia aérea nacional

iG São Paulo |

Seguidores do poderoso chefe tribal iemenita, o xeque Sadek al-Ahmar, se uniram à oposição e assumiram nesta quarta-feira o controle de vários prédios públicos de Sanaa, entre eles o MInistério do Interior e a agência oficial de notícias iemenita SABA, após violentos combates com tropas do governo do presidente Ali Abdullah Saleh.

Os enfrentamentos foram retomados na manhã desta quarta-feira pelo terceiro dia consecutivo, após uma pausa durante a noite. O bairro de Al Hassba, onde morreram 38 pessoas na terça-feira, permaneceu isolado.

AFP
Fumaça é vista saindo de prédio do Ministério do Interior, em Sanaa
A situação era extremamente tensa e muitos civis tentavam se esconder para se proteger. Partidários do xeque Sadeck al-Ahmar invadiram e tomaram o controle da agência oficial de notícias iemenita, SABA, além dos escritórios da companhia nacional aérea iemenita e do Ministério do Interior.

Com a perigosa situação, muitos moradores tentam deixar a capital, que enfrenta cortes no sistema de água e energia. As pessoas estão fugindo principalmente para o sul do país, já que no caminho para o norte há guardas republicanos avisando que eles podem não ser autorizados a voltar.

Autoridades decidiram fechar o aeroporto internacional de Sana como medida de segurança diante dos violentos confrontos entre as forças de segurança e as milícias tribais na capital e nos arredores do aeroporto.

As hostilidades cessaram no fim da noite de terça-feira após um apelo do presidente, Ali Abdallah Saleh, que pediu um cessar-fogo a suas tropas, ao mesmo tempo em que solicitou aos combatentes do poderoso chefe tribal que saíssem dos prédios públicos.

Também nesta quarta-feira, o presidente americano, Barack Obama, pediu a saída imediata do presidente iemenita. "Pedimos ao presidente Saleh que cumpra seu compromisso de transferir o poder", disse Obama durante visita a Londres.

‘Guerra civil’

Sadek Al-Ahmar acusou Saleh de tentar provocar "uma guerra civil" para permanecer no poder. Durante uma reunião na residência do xeque, cerca de 2 mil representantes tribais, principalmente membros das duas maiores tribos do país, os Hashed e os Bakil, haviam expressado "solidaridade" a Ahmar.

Líder do poderoso clã tribal dos Hashed, o xeque Ahmar se uniu em março à oposição para pedir a renúncia do presidente Saleh - que também já perdeu o apoio de parte das Forças Armadas. Sadek, um dos 10 filhos do falecido xeque Abdala Al-Ahmar, que foi o principal aliado de Saleh, está em condições de mobilizar mais de 10 mil homens armados, segundo fontes tribais.

Saleh disse que o Iêmen não se tornará um Estado falido nem será arrastado para dentro de uma guerra civil, apesar dos confrontos acirrados na capital. O líder, no poder há quase 33 anos, disse que continua disposto a assinar o acordo mediado pelo Golfo para encerrar seu governo, acordo do qual recuou na segunda-feira. Mas falou que não fará mais concessões.

"O Iêmen, espero, não se tornará um Estado falido ou uma nova Somália. A população ainda está ansiosa por uma transição pacífica do poder", disse ele à Reuters em entrevista.

O presidente, de 69 anos, disse que não deixará o Iêmen depois de renunciar e culpou a oposição pelos distúrbios. "O que aconteceu foi um ato de provocação para nos arrastar para uma guerra civil, mas ele é limitado aos filhos de Ahmar. Eles carregam a responsabilidade por derramar o sangue de civis inocentes", disse Saleh, ao garantir que as autoridades não querem ampliar o confronto.

Os recentes choques eclodiram depois de, no domingo, Saleh ter se recusado na última hora a assinar um pacto mediado por países do Golfo que previa sua saída suave do poder no prazo de um mês. Saleh disse que o acordo ainda está sobre a mesa. "Estou disposto a assinar, dentro de um diálogo nacional e com um mecanismo claro. Se o mecanismo for correto, assinaremos o acordo de transição do poder e abriremos mão do poder", disse. "Quem vai processar quem? Sou um cidadão normal. Farei a transferência do poder se eles (a oposição) vierem para a mesa de diálogo pacificamente."

*Com Reuters, EFE e AFP

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