Oposição não derrotará forças síria, diz chanceler russo

Para Sergei Lavrov, ocorrerá banho de sangue por anos se opositores forem armados 'até os dentes'; Kofi Annan vai ao Irã debater conflito

iG São Paulo |

O chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira que a oposição síria não derrotará as forças do presidente Bashar al-Assad, mesmo que esteja armada "até os dentes".

Saiba mais: Premiê turco acusa Conselho da ONU de ser conivente com opressão na Síria

"É claro como a água: mesmo que armem a oposição até os dentes, eles não derrotarão o Exército sírio, acontecerá um banho de sangue durante anos, uma destruição mútua", disse o chefe da diplomacia russa durante uma visita a Baku, no Azerbaijão.

AP
Ativistas sírios preparam cartaz para protesto em Damasco contra o regime de Assad (3/4)
Lavrov também criticou a conferência Amigos da Síria, que aconteceu no domingo na Turquia, e afirmou que os aliados árabes e ocidentais da oposição síria buscam impedir qualquer negociação com o regime de Assad.

Annan

Também nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, disse que o enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, visitará Teerã nos próximos dias para tratar com as autoridades iranianas o conflito sírio.

Salehi disse que o Irã se alegra que o plano de seis pontos de Annan para estabilizar Síria tenha sido aceito, mas advertiu que se deve vigiar que as posições que forem abandonadas pelas tropas sírias nas cidades não sejam ocupadas pelos grupos opositores armados.

Enviado: Governo da Síria aceita prazo para iniciar plano de cessar-fogo

O porta-voz de Annan, Ahmad Fawzi, disse na sexta-feira passada que o ex-secretário-geral da ONU pretendia se reunir com as autoridades do Irã e da Arábia Saudita, países com posturas opostas em relação ao conflito - enquanto Teerã apoia o regime de Assad na Síria, Riad respalda a oposição.

Até agora, Annan visitou Egito, Turquia, Emirados Árabes Unidos, China e Rússia em seu trabalho para frear o conflito, que segundo a ONU causou mais de 9 mil mortes pela violência desde que começou há pouco mais de um ano.

O regime islâmico do Irã, que reprimiu com dureza os protestos que se seguiram às denúncias de fraude nas eleições presidenciais de 2009, apoiou as revoluções e revoltas na Tunísia, Egito, Iêmen, Barein, Jordânia e Arábia Saudita, às quais denomina como "despertar islâmico". No entanto, respalda firmemente o regime de Damasco liderado por Assad, seu principal aliado árabe.

A oposição síria e alguns países, como os Estados Unidos, acusaram o Irã de fornecer ajuda militar - em armas, pessoal e assessoria - a Assad para reprimir o levante no país. O Irã, por outro lado, considera que o conflito sírio foi causado por grupos "terroristas" armados por alguns países ocidentais e árabes, especialmente os EUA.

Turquia

Na terça-feira, o premiê turco , Recep Tayyip Erdogan, acusou o Conselho de Segurança da ONU de indiretamente apoiar a opressão contra o povo sírio e falhar em unificar opositores e forças sírias.

Segundo o premiê turco, o Conselho de Segurança ficou parado com suas “mãos e braços atados” equanto o povo sírio morre todos os dias. Erdogan disse que ao não tomar uma decisão concreta em relação à Síria, o Conselho de Segurança “indiretamente apoiou a opressão”.

Nesta quarta-feira, ao menos 52 pessoas morreram em violentos bombardeios na província de Homs.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal ator da oposição, indicou um ataque com "dezenas de tanques e blindados" contra a cidade de Taftanaz (noroeste), com as "destruições de casas com seus moradores dentro e execuções sumárias".

"O regime mantém sua política de genocídio contra o povo sírio", indicou o CNS em comunicado, pedindo à comunidade internacional que reaja imediatamente para obrigar o regime a "retirar seus tanques e conter seus genocidas".

ONU: Violência deixou mais de 9 mil mortos

A retirada dos tanques é um dos principais pontos do plano Annan que Damasco se comprometeu a aplicar até a próxima terça-feira, mas impondo como condição o fim da violência dos rebeldes, que o regime chama de "terroristas".

Um projeto de declaração sobre a Síria em discussão no Conselho de Segurança da ONU pede a Damasco que respeite o prazo de 10 de abril para iniciar a sua desmobilização militar e que a oposição síria faça o mesmo 48 horas após o fim do prazo.

*Com AFP e EFE

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