Oposição argelina anuncia divisão e governo faz concessões

Até agora, protestos da oposição argelina não conseguiram resultar em uma revolta como as da Tunísia e Egito

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A oposição argelina mostrou suas divergências e se dividiu ainda mais diante de um governo que anunciou a suspensão iminente do estado de emergência e medidas econômicas, decisões que pretendem acalmar a opinião pública.

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Empregados paramédicos fazem greve em Argel, Argélia
A oposição argelina reunida na Coordenação Nacional pela Democracia e a Mudança (CNCD), que fez duas tentativas de protestos em Argel para pedir uma "mudança do sistema" político representando pelo presidente Abdelaziz Buteflika e do qual o Exército é o principal componente, dividiu-se em duas tendências após uma reunião na noite de terça-feira, informou um comunicado divulgado nesta quarta-feira.

A CNCD, formada após os distúrbios de janeiro, que provocaram cinco mortes e deixaram mais de 800 feridos, é uma coalizão de sindicatos, personalidades e partidos políticos, sendo o mais importante deles a União pela Cultura e a Democracia (RCD), liderada pelo laico Said Sadi.

Um grupo chamado Argélia Pacífica exigiu a saída dos partidos políticos. Além da RCD, dois pequenos partidos integram a coordenação: o Movimento Democrático e Social (MDS, herdeiro do antigo partido comunista), e o Partido pelo Laicismo e o Desenvolvimento.

Com a recusa dos partidos de deixar a CNDC, a reunião terminou com a criação de uma segunda estrutura, a Coordenação da Sociedade Civil, composta principalmente pela Liga Argelina de Defesa dos Direitos Humanos, o sindicato de funcionários públicos e o grupo SOS Desaparecidos.

A CNCD manteve a decisão de organizar manifestações todos os sábados em Argel, apesar de sua proibição.

O governo anunciou na terça-feira que o estado de emergência instaurado em fevereiro de 1992 para lutar contra a guerrilha islamita será suspenso por um decreto que deve entrar em vigor de maneira "iminente".

A decisão era exigida pelos partidos, que protestavam contra a restrição das liberdades políticas. Uma exigência considerada legítima, segundo a oposição, pelo fato de o governo considerar que a paz retornou ao país graças à política de reconciliação nacional de Buteflika, no poder desde 1999 e que está no terceiro mandato presidencial de cinco anos.

Além da suspensão do estado de emergência, o Conselho de Ministros anunciou uma série de medidas a favor da economia, do emprego e da habitação. As medidas foram anunciadas em um momento de greves em série no país. Os protestos da oposição argelina, no entanto, não conseguiram resultar em uma revolta como as registradas na Tunísia e no Egito.

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