Oposição aperta cerco e revolta se aproxima da capital da Líbia

Forças de segurança pró-Kadafi tentam conter avanço de manifestantes em áreas próximas de Trípoli

iG São Paulo |

Forças de seguranças e milícias fiéis ao presidente da Líbia, Muamar Kadafi, tentam conter o avanço da oposição nas áreas próximas à capital, Trípoli, depois de o governo ter perdido o controle de outras das principais cidades do país. Em pronunciamento nesta quinta-feira, Kadafi responsabilizou a rede terrorista Al-Qaeda pela oposição que vem sofrendo no país. O líder líbio também descreveu a atual revolta no país como uma "farsa", afirmando que os manifestantes estão sendo influenciados por drogas.

Relatos indicam que a capital está sendo patrulhada por grupos fortemente armados, que teriam invadido residências para prender opositores. Imagens postadas na internet indicaram que a oposição já tomou cidades a cerca de 50 quilômetros de Trípoli.

A capital continua sendo uma espécie de bastião do regime de Kadafi, depois que a segunda e a terceira maiores cidades do país, Benghazi e Misurata, foram tomadas pela oposição, assim como outros municípios na costa do Mar Mediterrâneo, como Sabratha e Zawiya.

Em Benghazi, sob firme controle da oposição há vários dias, havia filas para distribuir armas roubadas da polícia e do Exército com a finalidade de iniciar o que um repórter da BBC chamou de "batalha por Trípoli".

Moradores e militares desertores criaram vários comitês de defesa, inclusive um que protege bases de mísseis nos arredores de Tobruk, no leste, região que já é considerada completamente fora do controle de Kadafi.

Na noite de quarta-feira, porém, o filho do coronel Kadafi, Seif al-Islam, apareceu na TV estatal afirmando que a situação no país era "normal" e que as estimativas sobre número de mortos - que variam de 300 a milhares - são "exageradas".

Estrangeiros

Enquanto os confrontos se acirram, estrangeiros tentam deixar a Líbia. Governos de vários países estão enviando balsas, aviões e navios para resgatar seus cidadãos.

Um grupo de brasileiros que estava na Líbia desembarcou na manhã desta quinta-feira no aeroporto de Cumbica, em São Paulo. Os brasileiros são funcionários da empresa Andrade Gutierrez, que fretou o voo de Trípoli para a capital paulista.

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Funcionário da Andrade Gutierrez, José Geraldo desembarca em São Paulo após deixar a Líbia

Outros brasileiros, entre eles o técnico da seleção de futebol da Líbia, Marcos Cesar Dias de Castro, mais conhecido como Paquetá, desembarcaram no Rio de Janeiro por volta das 11h.

A Petrobras também informou que retirou sete brasileiros - quatro funcionários e três familiares - da Líbia. Procurada pelo iG , a empresa não quis dar informações sobre onde e quando eles desembarcariam no Brasil, dizendo, apenas, que o voo teria saído de Trípoli, a capital líbia.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que um navio de grande porte partiu da Grécia rumo à Líbia, onde um grupo de 148 brasileiros e cidadãos de outras nacionalidades aguarda para ser resgatado.

Na quarta-feira, duas balsas da Turquia conseguiram retirar cerca de 3 mil de seus cidadãos de Benghazi, onde vive um grande número de turcos que trabalham para empresas de construção.

Outros países, como França, Rússia, Holanda e Índia também já conseguiram evacuar parte de seus cidadãos. A Grã-Bretanha enviou um avião para resgatar britânicos na Líbia e posicionou um navio de guerra próximo à costa do país.

O governo chinês, por sua vez, enviou aviões e navios para retirar cerca de 40 mil de seus cidadãos da Líbia. A operação conta com a colaboração da Grécia e da Itália, segundo a agência de notícias estatal grega ANA-MPA.

Obama

Em seu primeiro pronunciamento desde que a crise começou na Líbia em 17 de fevereiro, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira que as autoridades líbias terão de prestar contas sobre os atos de violência contra os manifestantes que pedem a renúncia do líder Muamar Kadafi.

O discurso do líder americano foi feito após o porta-voz do Departamento de Estado, Peter Crowley, afirmar que os EUA estão considerando uma série de respostas à violenta crise política na Líbia, incluindo a possibilidade de sanções e congelamento de bens.

"Estamos preparando amplas opções em resposta à violência em coordenação com aliados e parceiros", disse Obama, ao explicar que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, estará na segunda-feira em Genebra para se reunir com ministros das Relações Exteriores em uma sessão do Conselho de Direitos Humanos sobre a violência no país do norte da África.

"Lá, ela manterá consultas com nossos parceiros sobre os eventos em toda a região e continuará assegurando que nos unamos à comunidade internacional para falar com uma única voz para o governo e a população da Líbia", afirmou. De acordo com diplomatas que falaram à rede de TV CNN, o Conselho de Direitos Humanos, que faz parte da ONU, está negociando uma resolução sobre a Líbia.

Em sua declaração, Obama afirmou que instruiu o subsecretário de Estado para questões políticas, Bill Burns, a fazer várias escalas "na Europa e na região para intensificar nossas consultas com aliados e parceiros sobre a situação na Líbia".

Obama, que quebrou seu silêncio sobre a crise após os EUA iniciarem a retirada de cidadãos americanos do país, afirmou que "o sofrimento e o banho de sangue são ultrajantes e inaceitáveis". O presidente afirmou que "proteger americanos na Líbia é uma das mais altas prioridades" de Washington.

Em seu pronunciamento, o líder americano também disse ser importante lembrar que "a mudança está sendo liderada pelas populações da região, que aspiram a uma vida melhor. "(Os EUA) continuarão a defender a liberdade, a justiça e a dignidade de todos os povos."

Com BBC, AP, EFE, AFP e Reuters

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