Oposição acusa governo sírio de intimidação em morte de jornalista

Governo da Síria expressa 'pesar e tristeza' e afirma que incidente foi ato terrorista; oposição pede investigação independente

iG São Paulo |

Um grupo de oposição da Síria afirmou, segundo a rede CNN, que a morte do jornalista francês Gilles Jacquier na quarta-feira ilustra os esforços do regime de Bashar al-Assad em intimidar a imprensa e pediu por uma investigação independente sobre o incidente. O governo sírio culpa um grupo armado de terroristas por ter disparado morteiros contra a delegação de jornalistas em Homs.

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O Conselho Nacional Sírio (CNS) afirmou nesta quinta-feira que a morte de Jacquier é um indicativo de que o regime quer impedir a imprensa de trabalhar livremente e cobrir os eventos "em uma tentativa de silenciar as fontes neutras e independentes da mídia".

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Jacquier, 43 anos, trabalhava para a emissora francesa France-2 TV e foi o primeiro jornalista ocidental a morrer na revolta da Síria, que já dura dez meses. Ele foi morto quando um morteiro atingiu uma manifestação pró-Assad em Homs, durante a qual ele trabalhava em uma viagem autorizada pelo governo.

Antes, a Síria havia proibido jornalistas estrangeiros de entrar no país, porém, depois, permitiu que alguns repórteres trabalhassem. "Os incidentes de ataques a jornalistas coincidem com os ataques a alguns membros da delegação de monitores árabes na tentativa de ameaçá-los para forçá-los a deixar a Síria sem divulgar publicamente os resultados de sua investigação que condena o regime sírio e expõe seus crimes", disse o CNS, segundo a CNN.

O grupo pediu que a imprensa internacional tome uma ação séria e urgente quanto a esses crimes contra jornalistas e pediu uma investigação independente para determinar as circunstâncias da morte de Jacquier.

O CNS se refere à missão observadora árabe que está no país desde o dia 26 de dezembro para determinar se o governo sírio está cumprindo com o acordo de paz estabelecido com o grupo para colocar fim à violência com medidas como retirar os tanques das ruas e abrir o diálogo com a oposição.

Os observadores estão investigando o incidente que provocou a morte de Jacquier. Segundo o major Affifi Abdel Mohamed, eles visitaram o local do ataque e também o hospital onde está seu corpo. Eles teriam falado com as testemunhas e tirarado fotos antes de ir ao hospital falar com outras vítimas, informou a TV síria. O embaixador francês da Síria, Eric Chevallier, também foi para Homs.

A agência oficial de notícias da Síria, Sana, disse que o ministro da Informação expressou "profunda tristeza e pesar" pela morte de Jacquier e dos outros oito "mártires" que também faleceram no incidente. "O ministro da Informação destaca que o ato é uma extensão do terror ao qual a Síria está exposta, acrescentando que ocorre no contexto da campanha terrorista de distorcer a real imagem do que está acontecendo na Síria."

O governador de Homs, Ghassan Abdel-Al, decidiu formar uma comissão de investigação para esclarecer as circunstâncias do ataque. Segundo a Sana, essa comissão será integrada por um juiz, pelo chefe da Polícia Judiciária de Homs, por especialistas em armas e munição e por um delegado da emissora francesa.

A oposição pediu que fosse realizado um protesto em honra de Jacquier nesta quinta-feira, e ativistas disseram que centenas de pessoas realizaram manifestações no país apesar do tempo frio e chuvoso pedindo pela saída de Assad do poder.

Nadim Houry, um pesquisador da Human Rights Watch, pediu por uma investigação independente, de preferência internacional. "O caso de ontem da morte do jornalista francês levanta muitas questões, como quem lançou os ataques e com que propósito. A resposta é que não sabemos", disse em entrevista concedida de Beirute. "Então a essa altura é importante que façamos uma investigação crível."

AP
Foto sem data mostra o cinegrafista francês Gilles Jacquier, morto em Homs, na Síria


A mídia estatal acrescentou que o tour organizado pelo governo para jornalistas reflete a aceitação da mídia estrangeira para "avançar livremente" no país. "Cabe às autoridades sírias garantir a segurança dos jornalistas estrangeiros em seu território", disse na quarta-feira o chanceler francês, Alain Juppé.

Durante a revolta, diversos jornalistas sírios foram mortos ou torturados enquanto tentavam cobrir as revoltas. A ONU estima que mais de 5 mil foram mortos desde março, o que torna a Síria um dos países mais violentos em meio aos outros revoltosos da Primavera Árabe .

Somente nesta quinta-feira, segundo os Comitês de Coordenação Local, um grupo ativista da oposição, 12 pessoas morreram em cinco províncias. Dois desses mortos eram militares que desertaram do Exército, segundo o grupo.

Com AP

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