ONU diz que Síria está em guerra civil; mortos passam de 4 mil

Na Turquia, chefes do principal grupo de oposição e da organização de desertores resolvem coordenar movimentos pela saída de Assad

iG São Paulo |

A representante máxima do Comitê de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou nesta quinta-feira que a Síria entrou em um estado de guerra civil e que o número de mortos durante o conflito passam de 4 mil. Segundo Pillay, a classificação foi feita devido ao número crescente de desertores do Exército que estão pegando em armas contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

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AP
Georgina Mtanious al-Jammal, mãe de Sari Saoud, menino de 9 anos que foi morto com um tiro em Homs, segura a foto de seu filho


"Uma vez que cada vez mais e mais desertores ameaçavam pegar em armas, eu disse em agosto antes do Conselho de Segurança, o conflito iria evoluir para uma guerra civil", disse Pillay em Genebra. "E no momento é assim que estou caracterizando."

Também nesta quinta-feira, o principal bloco da oposição do país e os rebeldes do Exército Livre da Síria concordaram em coordenar suas ações contra o regime sírio, que enfrenta um movimento de revoltas desde março, no contexto da Primavera Árabe.

O Conselho Nacional Sírio (CNS) também afirmou que os desertores concordaram em suspender os ataques às forças do governo, depois de seu primeiro encontro na Turquia nesta quinta.

Analistas ouvidos pela BBC afirmam que o Exército Livre da Síria, formado por desertores do Exército, colocou um dilema para o bloco, que usa táticas pacíficas.

O encontro no sul da Turquia foi o primeiro entre o presidente do CNS, Burhan Ghalioun, e o chefe do Exército Livre da Síria, Riyad al-Asaad, desde que suas respectivas organizações foram formadas.

"O Conselho reconheceu o Exército Livre da Síria como uma realidade, enquanto eles reconheceram o conselho como um representante político" da oposição, acrescentou Khaled Khoja, um dos representantes do conselho.

O Conselho Nacional Sírio foi formado há três meses pretendendo representar todos aqueles que se opõem ao presidente Bashar al-Assad, que tem lutado para se manter no poder de forma repressiva.

Khoja disse que um entendimento foi alcançado com o Exército Livre da Síria que concordou em usar a força somente para proteger os civis.

Na semana passada, Ghalioun pediu publicamente para que o Exército Livre da Síria não realizasse mais "ações ofensivas contra o Exército", depois de diversos ataques nas últimas semanas.

Sanções

Mais cedo nesta quinta, a União Europeia endureceu as sanções contra o governo de Assad. Ministros das Relações Exteriores de Bruxelas acrescentaram mais 11 entidades e 12 indivíduos à lista de retaliados, segundo um oficial da União Europeia.

Em comunicado, os ministros disseram que a repressão pode "levar a Síria a um caminho muito perigoso de violência, conflitos sectários e militarização".

Também nesta quinta-feira, a agência de notícias estatal egípcia afirmou que a Liga Árabe colocou 17 nomes do governo sírio em uma lista de indivíduos proibidos de viajar para os países do grupo. A lista incluiria o irmão de Assad, Maher, que comanda a Guarda Republicana e é o segundo homem mais poderoso da Síria.

O comitê da Liga encarregado de supervisionar sanções também recomendou interromper voos provenientes e direcionados à Síria a partir de meados de dezembro. Mas disse que as vendas de trigo, remédios, gás e eletricidade devem ser excluídas do embargo. O pacote de sanções deve ser finalizado até sábado.

Em resposta, o governo sírio suspendeu sua participação na União pelo Mediterrâneo (UPM) até que a União Europeia retroceda com as medidas, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores do país,

Um porta-voz do Ministério, citado pela agência oficial de notícias síria Sana, declarou que a decisão foi adotada "pelo aumento da campanha política e midiática injustificada contra a Síria nos fóruns internacionais e europeus", depois da decisão nesta quinta da UE de ampliar as sanções.

Afirmou neste sentido que a UE adotou "medidas injustificadas que tiveram como objetivo o sustento do povo sírio, e que representa uma flagrante violação para soberania nacional e a intromissão nos assuntos internos do país".

Além disso, o porta-voz da pasta ressaltou que a postura dos países comunitários "contrapõe o espírito dos acordos assinados entre Damasco e a UE, e prejudica a associação que foi consolidada pelo processo de Barcelona e a União pelo Mediterrâneo".

A suspensão foi informada aos representantes da presidência mista franco-egípcia da UPM, criada em 2008 e herdeira do Processo de Barcelona. A UPM reúne os países-membros da UE e os estados mediterrâneos do norte da África e do Oriente Médio.

Com AP, EFE e BBC

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