ONU diz que forças pró-Kadafi controlam fronteira com a Tunísia

Porta-voz de agência para refugiados diz que número de pessoas que fogem da Líbia para o país vizinho diminuiu drasticamente

iG São Paulo |

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) anunciou nesta sexta-feira que a fronteira da Líbia com a Tunísia é controlada pelas forças leais ao regime do líder Muamar Kadafi. "O lado líbio da fronteira está sob controle de tropas fortemente armadas", afirmou Melissa Fleming, porta-voz do Acnur.

De acordo com a agência, na quinta-feira apenas duas mil pessoas conseguiram atravessar a fronteira. "Nos dias anteriores, entre 10 mil e 15 mil fugiam diariamente para a Tunísia", afirmou Melissa. "Estamos muito preocupados que a situação da segurança na Líbia esteja impedindo as pessoas de atravessar."

A porta-voz acrescentou que os refugiados que conseguiram chegar à Tunísia contaram que seus telefones e câmera fotográficas foram confiscados. "Muitos dos que cruzaram a fronteira parecem assustados e não querem falar", disse.

Segundo Melissa Fleming, estrangeiros que ajudam no trabalho de assistência humanitária estão se sentindo "perseguidos" e "alvos" das forças pró-Kadafi.

Nesta sexta-feira, a Cruz Vermelha afirmou que duas de suas ambulâncias foram atacadas na cidade de Misrata. Dois funcionários ficaram feridos e um dos veículos foi incendiado e totalmente destruído.

Repatriar refugiados

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que aprovou o uso de aviões militares e civis dos EUA para ajudar a repatriar cidadãos egípcios que fugiram para a Tunísia para escapar da violência na Líbia.

O anúncio é o mais recente capítulo em uma grande crise de refugiados causada pelo conflito no país do norte da África. Na manhã de quinta-feira, a agência de refugiados da ONU disse que quase 180 mil, em sua maioria trabalhadores estrangeiros, fugiram da violência para a Tunísia e o Egito.

Cerca de 95 mil atravessaram a fronteira tunisiana, enquanto 83 mil entraram no Egito, segundo estimativas da agência. Nesta quinta, a comissária europeia de Cooperação e Ajuda Humanitária, Kristalina Georgieva, anunciou que a Comissão Europeia concedeu uma ajuda de emergência de 30 milhões de euros para contribuir com as operações de resgate dos refugiados. "A situação atual não é uma crise humanitária, mas uma emergência humanitária", afirmou.

Com AP, AFP, Reuters e BBC

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