ONU deve aprovar condenação contra governo da Síria

Texto, que não deve ter efeito de resolução, reprova violação dos direitos humanos e pede fim imediato da violência

iG São Paulo |

Reuters
Imagem de vídeo postado na internet que diz mostrar tanque em Hama
O Conselho de Segurança da ONU deve aprovar uma declaração que condenará o governo da Síria pelos ataques a manifestantes que exigem o fim do regime do presidente Bashar Al-Assad.

A onda de violência no país, que começou em março, ganhou força desde domingo , quando o Exército deu início a uma operação que deixou dezenas de mortos em cidades como Hama.

Diplomatas ligados ao Conselho de Segurança diiseram que os cinco integrantes - EUA, França, Grã-Bretanha, Rússia e China - entraram em acordo sobre o texto, que teria o formato de uma "declaração presidencial".

Este tipo de declaração se torna parte do histórico oficial do Conselho, mas tem menos força que uma resolução. No passado, a Rússia e a China sinalizaram que não aprovariam uma resolução contra a Síria.

De acordo com os diplomatas, a declaração, que deve ser votada ainda nesta quarta-feira, condenará a "generalizada violação dos direitos humanos" e pedirá o fim imediato da violência.

No texto, o Conselho diz que "toma nota" das promessas de reforma do presidente Bashar Al-Assad, ao mesmo tempo em que "lamenta a falta de progresso na implementação e pede que o governo sírio implemente seus compromissos".

Pressão internacional

A violenta operação do Exército da Síria contra a oposição em diferentes cidades provocou uma nova onda de pressão internacional sobre o governo do país.

Na terça-feira, a Itália convocou seu embaixador em Damasco como protesto pela "horrível repressão contra a população". "Propomos que todos os países da União Europeia façam o mesmo", disse um comunicado da chancelaria italiana.

Na segunda-feira, a União Europeia ampliou as sanções contra o governo da Síria, incluindo mais cinco nomes na lista de indivíduos que tiveram bens bloqueados e estão proibidos de viajar para o bloco. Ao todo, 35 pessoas foram alvo de sanções.

O chefe militar americano Mike Mullen afirmou que os EUA querem aumentar a pressão contra o regime sírio "política e diplomaticamente". Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar, Mullen afirmou que "não há qualquer indicação de que os EUA se envolvam diretamente".

Tanques em Hama

A ação do Exército sírio parece tentar impedir que os protestos contra o governo ganhem força durante o Ramadã. No mês do jejum muçulmano, centenas de pessoas frequentam mesquitas à noite, e o regime teme que as orações possam se transformar em amplas manifestações.

Nesta quarta-feira, tanques do Exército ocuparam a principal praça no centro de Hama , cidade que é palco de alguns dos mais intensos protestos contra Al-Assad.

De acordo com testemunhas, todos os serviços de comunicação e energia foram cortados.

Ativistas disseram que também é possível ouvir tiros de metralhadora em várias áreas da cidade, além de explosões que parecem estar concentradas no distrito de al-Hader.

A nova crise de violência começou no domingo, quando tanques invadiram Hama e outras cidades do país. Segundo a Associated Press, a ação do Exército deixou 75 mortos, enquanto a BBC fala em mais de 130 vítimas.

De acordo com ativistas, a operação deixou mais 24 mortos na segunda-feira - dez em Hama, seis em Damasco, três em Homs, dois em Boukamal, dois em Latakia e um em Madamaiya. Além disso, mais de cem pessoas teriam sido detidas no primeiro dia do Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos.

Ativistas dizem que mais de 1.500 civis e 350 oficiais das forças de segurança foram mortos na Síria desde o início dos protestos, em meados do mês de março. Além disso, mais de 12.600 pessoas foram presas e outras 3 mil constam como desaparecidas.

Com AP, BBC e AFP

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