ONU confirma mais de 1 mil mortos em repressão na Síria

Secretário-geral Ban Ki-Moon condenou abusos como mortes de crianças, que foram homenageadas em marchas desta sexta-feira

iG São Paulo |

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, confirmou nesta sexta-feira que a repressão na Síria já deixou mais de 1 mil mortos desde o início dos conflitos, que tiveram início em março, quando forças de segurança sírias passaram a reprimir manifestantes que protestam contra o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad. 

Ao refletir a preocupação da comunidade internacional em relação à repressão do regime sírio contra opositores, Ban se disse extremamente preocupado com a "contínuas violações de direitos humanos", incluindo a morte de crianças , torturas e uso de escudos humanos.

De acordo com a rede de TV CNN, ao lembrar do "anúncio de autoridades sírias de anisitia e o estabelecimento de um comitê para estabelecer um diálogo nacional", Ban enfantizou que a "violenta repressão pelas forças de segurança e militares deve terminar imediatamente para que um diálogo inclusivo e genuíno (...) leve a reformas".

Nesta sexta-feira, manifestantes sírios que voltaram às ruas do país dedicaram os protestos às "crianças da liberdade" que têm participado da mobilização contra o governo de Assad. Segundo o Unicef (Fundo Mundial das Nações Unidas para a Infância), ao menos 30 crianças teriam sido mortas nos ataques das forças de segurança sírias desde meados de março.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), a repressão cada vez mais violenta do regime deixou ao menos 34 civis mortos a tiros na cidade de Hama, norte do país e a 210 km de Damasco, nesta sexta-feira.

De acordo com a mesma organização, mais de 50 mil manifestantes protestam contra o regime na região central do país.

"É a maior manifestação em Hama desde o início do movimento de protesto em março", disse Rami Abdel Rahmane, diretor do Observatório, que tem sede em Londres. Outras cidades também registradas manifestações, segundo militantes da oposição.

O principal símbolo da mobilização em homenagem às crianças é Hamza al-Khatib , um menino de 13 anos que, segundo a oposição, foi "torturado e assassinado". Várias páginas da rede social Facebook - algumas delas com fotos e vídeos que mostram o suposto corpo mutilado de Hamza - prestam homenagem ao menino.

"Todos somos Hamzeh Khatib" indicam muitas páginas do Facebook, seguindo a célebre frase " Todos somos Khaled Sadi " (nome do jovem egípcio morto pela polícia), que desencadeou as grandes manifestações egípcio que forçaram a queda de Hosni Mubarak .

O porta-voz do Unicef, Patrick McCormick, afirmou que a "utilização de imagens de crianças é incrivelmente poderosa". "A foto de um menino morto, torturado ou mutilado, tem muito mais impacto do que a de um adulto", disse McCormick.

Reprodução
Reprodução de vídeo sem data mostra manifestante com foto de Hamza al-Khatib, que virou símbolo de protestos na Síria
Na internet surgem todos os dias páginas intituladas "Crianças mártires da Síria", "Pelas crianças da Síria" ou "Ajudem as crianças da Síria". O Unicef disse que não pode verificar as circunstâncias exatas das mortes, mas indica que o número de crianças mortas na Síria, assim como na Líbia, é certamente mais elevado do que se imagina.

Nesses dois países, os regimes autocráticos bombardearam cidades "rebeldes", ao contrário do que aconteceu na Tunísia e no Egito. Nessas situações, as crianças "não estão conscientes do perigo, ainda mais porque as manifestações são um fenômeno novo no país", disse McCormack.

No site "Crianças mártires da Síria", um vídeo mostra uma menina chamada "Maya" carregada por seu pai, que grita "Fora, fora!", lema repetido constantemente pelos manifestantes contra Assad. De acordo com a oposição, Hamza tinha decidido participar das manifestações depois que a polícia matou um de seus primos.

Internet cortada

O acesso à internet foi cortado nesta sexta-feira em Damasco e Latakia, noroeste da Síria, informaram moradores de vários bairros da capital e da grande cidade costeira. Em abril, a internet ficou um dia fora do ar, em consequência, segundo a companhia síria de telecomunicações, de uma sobrecarga de conexões.

A Síria é cenário de uma revolta popular desde meados de março. No total, segundo as associações de defesa dos direitos humanos, mais de 1,1 mil civis morreram desde o início da revolta em consequência da repressão e pelo menos 10 mil opositores foram detidos.

*Com AFP

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