ONU aprova pôr fim a operações na Líbia em 31 de outubro

Com fim de zona de exclusão aérea e autorização para ação da Otan, Líbia retomará controle de espaço aéreo e de atuação militar em 1º de novembro

iG São Paulo |

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quinta-feira por unanimidade uma resolução que põe fim em 31 de outubro ao mandato que permitiu impor uma zona de exclusão aérea e autorizou uma operação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para proteger os civis no país.

A medida foi aprovada em 17 de março em resposta a um pedido da Liga Árabe para tentar barrar as forças leais ao ex-ditador Muamar Kadafi , que avançavam contra os rebeldes e seus partidários civis. A campanha de bombardeios da Otan que se seguiu foi crítica para ajudar os rebeldes a depor Kadafi em agosto . A Aliança Atlântica disse que analisa novas formas de ajudar o Conselho Nacional de Transição (CNT), que solicitou uma prorrogação do mandato da aliança .

"A operação terminará às 29h59 de 31 de outubro (19h59 de 30 de outubro em Brasília)", afirmou, ao término da votação dos 15 membros, o embaixador russo Vitaly Churkin, cujo país foi um dos que apresentaram a resolução aprovada (de número 2016). Por essa decisão, a Líbia retomará o controle de seu espaço aéreo e de suas operações militares em 1º de novembro.

A resolução foi adotada pelo conselho um dia depois de o vice-embaixador da Líbia na ONU, Ibrahim Dabbashi, ter pedido que os membros esperassem até que o governo interino líbio fizesse um pedido formal sobre a questão. Mas o órgão mais poderoso da ONU decidiu que não há necessidade para uma ação militar autorizada pela organização depois da morte de Kafafi em 20 de outubro e do anúncio de libertação do país em 23 de outubro .

Na semana passada, a Otan anunciou planos preliminares de pôr fim à sua missão em 31 de outubro. Mas, inesperadamente na quarta-feira, adiou sua decisão, dizendo que o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen precisava continuar consultando a ONU e o CNT. O corpo diretor da Otan se reunirá na sexta-feira em Bruxelas para declarar formalmente o fim de sua missão de sete meses.

A resolução 2016 do Conselho de Segurança também flexibilizou o embargo de armas que pesa sobre a Líbia, de modo que o CNT possa adquirir armamento e equipamentos para sua segurança nacional.

Imagens de suposto funeral

A decisão do Conselho de Segurança foi tomada no mesmo dia em que a emissora Alaan, dos Emirados Árabes, exibiu imagens do que pareciam ser os preparativos do funeral do ex-líder líbio , de seu filho Mutassim e do seu ministro da Defesa, Abu-Baker Yunis, na localidade líbia de Misrata. Os três foram durante a queda da cidade natal do ex-ditador, Sirte, e enterrados na terça-feira .

Um vídeo publicado no site do canal mostra três caixões de madeira sem tampa, nos quais apareciam os três corpos envolvidos em mortalhas e com os rostos descobertos antes de serem supostamente enterrados há dois dias.

Assista ao vídeo sem áudio veiculado no YouTube do suposto funeral:

Os féretros aparecem no chão, observados por cerca de 20 homens, alguns vestidos com turbante e túnica e outros com uniforme militar, diante de um edifício com as luzes acesas. Segundo a emissora, entre os presentes há membros do Conselho Local de Misrata, um primo e um motorista de Kadafi, dois filhos de Yunis e três seguidores do ex-líder líbio.

O apresentador do canal Alaan acrescentou que os três corpos foram enterrados em um local desconhecido no meio do deserto, em uma cerimônia só assistida pelo primo e o motorista de Kadafi.

Em resposta aos apelos por uma investigação, a nova liderança líbia afirmou nesta quinta-feira que encaminhará à Justiça os assassinos do ex-ditador, morto em circunstâncias ainda não esclarecidas. O novo poder líbio afirma que a morte aconteceu durante uma troca de tiros , enquanto várias fontes indicam que houve uma execução sumária.

Leia também: Saiba os relatos que indicam os últimos momentos de Kadafi

"Já abrimos uma investigação. Determinamos um código de ética em relação ao tratamento dado aos prisioneiros de guerra. Tenho certeza de que esse foi um ato individual e não uma ação revolucionária ou do Exército nacional", disse o vice-presidente do CNT, Abdel Hafiz Ghoga. "O responsável (pela morte de Kadafi), quem quer que seja, será julgado e receberá o que for justo", assegurou.

Fuga do filho e chefe de inteligência

Também nesta quinta-feira, um conselheiro presidencial do Níger disse que o chefe de inteligência de Kadafi, Abdullah al-Senusi, chegou durante a madrugada à região de Kidal, no Mali, depois de cruzar o deserto do Níger. Além disso, afirmou que Saif al-Islam, filho considerado herdeiro político de Kadafi , está a caminho.

O conselheiro falou sob condição de anonimato da cidade de Agadez, onde anciões tuaregues mantiveram encontros durante a noite para discutir como lidar com a questão. Senusi e Saif são os dois membros remanescentes do regime de Kadafi que são procurados pelo Tribunal Penal Internacional .

De acordo com o conselheiro, Senusi foi escoltado através das dunas por tuaregues do Mali, e está em um acampamento no deserto no norte do país. Espera-se que o filho de Kadafi siga a mesma rota. Os tuaregues participaram das forças de segurança de Kadafi.

Veja como imprensa mundial noticiou morte de Kadafi:

"Senusi está no norte de Mali, uma região quase impossível de controlar, onde conta com a proteção dos tuaregues que combateram os rebeldes líbios ao lado das brigadas kadafistas", explicaram fontes militares em Niamey, capital do Níger.

Saif é o único membro da família de Kadafi cujo paradeiro ainda é desconhecido. A mulher do líder deposto, assim como três de seus filhos - Aisha, Muhammad e Hannibal - fugiram para a Argélia em agosto. Saadi, outro filho de Kadafi, abrigou-se em setembro no Níger . A Interpol emitiu um mandado de prisão contra ele a pedido do CNT.

*Com EFE, AP e AFP

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