ONU acerta envio de equipe à Líbia e pede US$ 160 mi para crise

Secretário-geral nomeia ex-chanceler da Jordânia como novo enviado para país; doações ajudariam 1 milhão de vítimas

iG São Paulo |

A ONU escolheu um novo enviado para a Líbia e anunciou a visita de uma equipe de avaliação humanitária à capital Trípoli, no momento em que confrontos entre rebeldes e forças leais ao coronel Khadafi se intensificam no país . O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, falou com o chanceler líbio, Musa Kusa, no domingo, que concordou com a entrada de uma equipe de avaliação humanitária em Trípoli.

O secretário-geral das Nações Unidas nomeou para a função o ex-ministro das Relações Exteriores da Jordânia Abdelilah Al-Khatib, que "fará consultas urgentes com as autoridades em Trípoli e na região sobre a situação humanitária imediata".

A ONU também pediu acesso urgente à cidade de Misrata, a 200 quilômetros a leste da capital, onde combates pesados teriam deixado 21 mortos e mais de 100 feridos. "Peço que as autoridades permitam acesso sem demora a funcionários de agências humanitárias para ajudar a salvar vidas", disse a coordenadora de Assuntos Humanitários da ONU, Valerie Amos.

Além disso, as agências humanitárias da organização pediram nesta segunda-feira US$ 160 milhões de ajuda atender, durante três meses, 400 mil que podem sair do país e outras 600 mil vítimas internas do conflito.

"Em resposta à atual crise líbia, que já deslocou 191.748 para os países vizinhos como Tunísia, Egito e Níger, a ONU, a Organização Internacional para Migrações (OIM) e as agências associadas fazem um apelo regional urgente", disse um comunicado oficial. O apelo inclui 17 organizações de ajuda humanitária, entre elas a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Alimentar Mundial (PAM). "Espero que o pedido de US$ 160 milhões receba uma resposta propícia dos doadores, o que nos permitirá continuar apoiando os necessitados", afirmou.

A ONU diz que os civis "estão enfrentando o impacto da violência" e pede "a suspensão imediata do uso desproporcional de força e dos ataques indiscriminados contra alvos civis". Em nota oficial, Ban diz que "aqueles que violarem as leis humanitárias internacionais ou cometerem graves crimes devem ser julgados."

Combates

Grupos rebeldes que lutam pela deposição de coronel Muamar Kadafi vêm tentando conter o avanço das tropas leais ao regime perto da capital e no leste do país. Um médico da cidade de Misrata disse à BBC que os combates duraram mais de seis horas e as forças do governo "atacaram todas as casas com armamentos pesados. Eles intencionalmente alvejaram e explodiram nossa farmácia. Eles bombardearam até nosso hospital, mas felizmente ninguém ficou ferido. Só eu sei de cinco mesquitas que foram bombardeadas".

Um morador de Misrata, Mohamed Benrasali, disse que houve cenas de júbilo quando as tropas de Kadafi bateram em retirada. Segundo ele, um tanque foi explodido e 16 soldados, mortos. Outros soldados teriam sido capturados e seriam interrogados nesta segunda-feira.

Com uma população de 300 mil pessoas, Misrata é a maior cidade controlada por rebeldes fora do reduto da oposição no leste do país. Moradores pediram que seja criada uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia para impedir que a força aérea de Kadafi ataque.

Rebeldes em Zawiya, a 50 quilômetros de Trípoli, também dizem ter vencido um confronto com tropas do governo no domingo.

As forças de oposição ao governo estão concentradas na cidade de Benghazi, no leste do país, onde criaram um Conselho Nacional de Transição que pretende ser reconhecido pela comunidade internacional como o único governo do país. Nos Estados Unidos, o ex-embaixador para a ONU Bill Richardson e o ex-conselheiro nacional de segurança Stephen Hadley estão entre os que defendem o suprimento de armas para as forças rebeldes na Líbia.

*Com BBC, AFP e EFE

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