ONU: 1 milhão de sírios precisam de ajuda humanitária

Balanço da missão das Nações Unidas e da Cooperação Islâmica é divulgado paralelamente à reunião da Liga Árabe para debater a crise na Síria

iG São Paulo |

A missão de avaliação humanitária realizada na Síria por equipes técnicas da ONU e da Organização da Cooperação Islâmica (OCI) concluiu que ao menos 1 milhão de sírios precisam atualmente de ajuda humanitária. 

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Entre os 1 milhão de sírios há "pessoas afetadas diretamente pela violência, os feridos, aqueles que tiveram de deixar suas famílias e os que perderam o acesso aos serviços essenciais, assim como as famílias que os acolhem agora", indicou o porta-voz da ONU, Eduardo del Buey.

AP
Opositores protestam contra regime de Assad em Idlib (26/3)
Recentemente, a ONU afirmou que mais de 9 mil pessoas morreram desde o início dos conflitos , que deixou também 200 mil deslocados e 30 mil refugiados no exterior.

O balanço é divulgado no mesmo dia em que líderes árabes se reúnem em uma histórica cúpula da Liga Árabe em Bagdá, palco de três explosões nesta quinta-feira. A reunião do grupo, a primeira no Iraque em mais de duas décadas, discutirá principalmente a crise na Síria.

Na reunião, o premiê do Catar disse que a Liga Árabe se veria diante de uma “desgraça” se os “sacrifícios do povo sírio forem desperdiçados”. “Temos uma escolha difícil pela frente: ou ficamos ao lado da população, ou ao lado dele (presidente sírio, Bashar al-Assad)”, disse. “Não podemos esperar que os sírios fiquem de braços cruzados enquanto o regime continua matando.”

O Catar e a Árabia Saudita são os principais defensores de uma ação mais assertiva da Liga Árabe para colocar fim ao conflito sírio. Em reuniões fechadas, representantes dos dois países dizem ver pouco resultado nos esforços diplomáticos do grupo. Entre as novas ações estudadas estão fornecer armamentos para rebeldes sírios e oferecer proteção à oposição na região da fronteira da Síria com a Turquia, que seria uma espécie de campo de refugiados.

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Também nesta quinta-feira, o presidente sírio, Bashar al-Assad, confirmou ter aceito o plano do mediador internacional Kofi Annan e revelou, mas fez observações sobre sua aplicação diante do temor de que "grupos armados" se aproveitem dessa situação.

"Síria, dentro de sua estratégia para colocar fim à crise, aceitou a missão encomendada por Kofi Annan e confirma que não poupará esforços para que essa missão alcance êxito", disse Assad em mensagem enviada aos líderes dos Brics reunidos em Nova Délhi.

Em carta divulgada pela agência oficial síria Sana, o líder diz ter feito "consultas globais sobre os detalhes que se referem à aplicação do plano para que os grupos armados não se aproveitem da atmosfera que será gerada quando o governo cumprir com seu compromisso".

O presidente sírio ressaltou que "em troca do compromisso oficial da Síria é necessário que o país alcance o compromisso dos outros setores com o fim dos atos terroristas" e pediu que "países que financiam e armam" esses grupos cessem com tais práticas.

O chefe de Estado sírio se referiu "aos países que anunciaram que financiam e armam os grupos terroristas na Síria", em alusão às declarações de dirigentes catarianos e sauditas que estariam dispostos a armar a oposição.

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Em sua mensagem ainda, agradeceu as posições dos Brics, que "fortalecem o princípio de respeito à soberania e independência dos países", depois que Rússia e China vetaram duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra Damasco.

Confronto

Nesta quinta-feira, ao menos 43 pessoas morreram na Síria, sendo a maior parte na periferia de Damasco e em Homs.

Segundo um comunicado do grupo opositor Comitês de Coordenação Local (CCL), dez pessoas morreram nas cidades de Duma e Harasta, nos arredores da capital, dez em Homs, dez em Idlib, cinco em Deraa, três em Hama, três em Deir ez-Zor e duas em Aleppo.

Enquanto isso, em Al-Tall, também nas imediações da capital, os soldados do regime abriram fogo contra os manifestantes opositores e bloquearam os acessos a um hospital.
Houve choques também em Hama, que causaram a morte de um capitão e um oficial das Forças Aéreas.

*Com EFE

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