Ônibus da Turquia é alvo de ataque na Síria

Segundo imprensa turca, dois outros veículos foram atacados por forças de segurança sírias, deixando dois feridos

iG São Paulo |

AP
Primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, duro crítico do regime de Assad na Síria (15/11)
Um ônibus turco foi alvo de um ataque na Síria nesta segunda-feira, de acordo com o motorista e a imprensa da Turquia.

Há relatos de que dois outros veículos que integravam um comboio também foram atacados, e que as ações teriam deixado dois feridos.

Em entrevista à Associated Press, o motorista Erhan Sumeli disse que o ataque aconteceu na cidade de Homs.

“Tínhamos parado em um posto de controle. Quando dissemos que éramos turcos, eles xingaram (o primeiro-ministro) Recep Tayyip Erdogan e começaram a abrir fogo contra o ônibus”, relatou o motorista à Associated Press.

Surmeli afirmou que o ônibus levava 25 açougueiros turcos de volta para casa após terem participado na Arábia Saudita do festival de Eid Al-Adha, a festa do sacrifício. Segundo ele, todos conseguiram cruzar a fronteira.

Nesta segunda-feira, o Ministério de Relações Exteriores da Turquia renovou sua advertência aos cidadãos turcos para que não viajem para a Síria a menos que seja absolutamente necessário.

A tensão entre a Turquia e a Síria cresceu nos últimos meses. Erdogan e outras autoridades turcas fizeram duras críticas contra a repressão aos protestos contra o presidente sírio, BasharAl-Assad, que começaram em março.

Erdogan fez novas críticas a Assad nesta segunda-feira, antes de ser divulgada a notícia dos ataques aos ônibus.

Em evento em Istambul, o premiê disse que o líder sírio não conseguirá se manter no poder “com tanques e canhões”.

“Chegará o dia em que ele também deverá sair”, afirmou Erdogan. “Este tipo de cargo é temporário. Permanecer no poder com tanques e canhões só é possível até certo ponto.”

Liga Árabe

No domingo, a Liga Árabe rejeitou as mudanças propostas por Assad em um plano de paz que tenta solucionar a crise no país. Segundo a organização, que reúne 22 nações árabes, as emendas de Assad alteram a “essência” do documento.

O líder sírio aceitou em princípio o plano de paz, mas propôs mudanças no número de observadores a ser enviado ao país, que seria reduzido de 500 para 40. O papel dos observadores seria supervisionar a implementação do plano de paz, que prevê que o governo pare de atacar manifestantes, retire militares de áreas de tensão e comece negociações com a oposição.

Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal britânico Sunday Times, Assad acusou a Liga Árabe de criar um pretexto para uma invasão ocidental em seu país, o que, segundo ele, criaria um "terremoto" no Oriente Médio.

Assad também disse que seu país não vai se curvar diante da pressão internacional e que vai continuar enfrentando as "gangues armadas" que, segundo ele, vêm provocando uma onda de violência nas ruas.

O líder prometeu realizar eleições em fevereiro ou março, quando os sírios escolheriam representantes no Parlamento para criar uma nova Constituição. Esta, por sua vez, determinaria a realização eleições presidenciais no futuro.

"Essa Constituição vai lançar as bases de como eleger um presidente, se um presidente é necessário ou não. As urnas vão decidir quem deve ser presidente", disse ele.

Com BBC, AP, EFE e AFP

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