ONG acusa rebeldes líbios de saques e espancamentos

Opositores de Muamar Kadafi negam denúncias de Human Rights Watch; França pede investigação de eventuais abusos

iG São Paulo |

Os rebeldes líbios negaram nesta quarta-feira denúncias da Human Rights Watch (HRW) de que teriam cometido abusos no oeste do país. Segundo a organização afirmou na terça-feira, os rebeldes nas montanhas no oeste do país saquearam e danificaram quatro cidades capturadas desde o mês passado de forças do líder líbio, Muamar Kadafi, parte de uma série de abusos e aparentes retaliações contra supostos governistas que afugentaram os residentes desses locais.

AFP
Rebelde líbio toma posição em posto de controle na estrada principal que leva à vila de Kikla, sudoeste de Trípoli, durante ofensiva de tropas do líder Muamar Kadafi
Os saques incluíram muitos negócios e pelo menos dois centros médicos que, assim como as cidades, agora estão desertos. Os rebeldes também espancaram pessoas suspeitas de ser leais ao regime e queimaram suas casas, disse a HRW. As cidades onde ocorreram os abusos são Qawalish, que os opositores capturaram na semana passada, Awaniya, Rayaniyah e Zawiyat al-Bagul, que caíram sob seu controle na semana passada.

O número 2 da rebelião líbia, Mahmuf Jibril, negou as acusações num encontro em Bruxelas com os líderes da Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Jibril admitiu "alguns incidentes" durante as duas primeiras semanas da insurreição, iniciada em meados de fevereiro, mas afirmou que o mesmo não acontece "nas zonas libertadas".

A França pediu a investigação sobre eventuais casos de abuso. O Conselho Nacional de Transição (CNT) "tem responsabilidades particulares quanto à promoção e a proteção dos direitos humanos, cujos princípios estão na carta constitutiva", lembrou o ministério francês de Relações Exteriores. Três países europeus já reconheceram o CNT como "representante legítimo do povo líbio durante o período de transição".

Paralisados há dias em frente à zona sul de Trípoli, esperando uma aprovação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para avançar, os insurgentes foram surpreendidos nesta quarta-feira por uma contraofensiva das tropas governamentais no povoado de Qawalish, a cem quilômetros ao sul da capital.

Na terça-feira, a França garantiu que uma solução política começava a "tomar forma" por meio de contatos diplomáticos cada vez mais firmes que devem levar à saída de Kadafi do poder . No entanto, ainda não se trata de "verdadeiras negociações", segundo o chanceler francês, Alain Juppé.

Nesta quarta-feira, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que os EUA e a Rússia já consideram que Kadafi está com os dias contados no governo líbio. "Embora nenhum de nós possa prever o dia e hora exatos em que Kadafi deixará o poder, sabemos e estamos de acordo que seus dias estão contados", disse Hillary ao lado do ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.

Já Lavrov reconheceu que a posição de Moscou em relação à Líbia "diverge" da visão de Washington, em particular no que se refere à "forma de seguir as resoluções do Conselho de Segurança da ONU". A Rússia acusa a Otan de violar as resoluções 1.970 e 1.973 com os bombardeios contra o país norte-africano e com seu respaldo diplomático e logístico aos insurgentes.

O chanceler russo destacou, no entanto, que a Rússia tem menos divergências nesse assunto com os Estados Unidos do que com "alguns países europeus".

*Com EFE, AFP e New York Times

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