Itália convoca seu embaixador em Damasco no terceiro dia consecutivo de uma violenta operação militar que matou dezenas

Imagem de vídeo postado na internet que diz mostrar tanque na cidade de Hama (1º/08)
Reuters
Imagem de vídeo postado na internet que diz mostrar tanque na cidade de Hama (1º/08)
A violenta operação do Exército da Síria contra a oposição em diferentes cidades provocou uma nova onda de pressão internacional sobre o governo do país.

Nesta terça-feira, o terceiro dia consecutivo de violência, a Itália convocou seu embaixador em Damasco como protesto pela "horrível repressão contra a população".

"Propomos que todos os países da União Europeia façam o mesmo", disse um comunicado da chancelaria italiana.

A nova crise de violência na Síria começou no domingo , quando tanques invadiram Hama, palco de alguns dos mais intensos protestos contra o governo do presidente Bashar Al-Assad, e outras cidades do país. Segundo a Associated Press, a ação do Exército deixou 75 mortos, enquanto a BBC fala em mais de 130 vítimas.

De acordo com ativistas, a operação deixou mais 24 mortos na segunda-feira - dez em Hama, seis em Damasco, três em Homs, dois em Boukamal, dois em Latakia e um em Madamaiya. Além disso, mais de cem pessoas teriam sido detidas no primeiro dia do Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos.

A ação continua nesta terça-feira, com tropas avançando na área oeste de Hama e atirando com metralhadoras em áreas da cidade. Tiros foram ouvidos na principal prisão local, onde o policiamento foi reforçado.

Os ataques foram condenados por Estados Unidos e países da Europa. Na segunda-feira, a União Europeia ampliou as sanções contra o governo da Síria, incluindo mais cinco nomes na lista de indivíduos que tiveram bens bloqueados e estão proibidos de viajar para o bloco. Ao todo, 35 pessoas foram alvo de sanções.

Nesta terça-feira, o chefe militar americano Mike Mullen afirmou que os EUA querem aumentar a pressão contra o regime sírio "política e diplomaticamente". Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar, Mullen afirmou que "não há qualquer indicação de que os EUA se envolvam diretamente".

A Alemanha solicitou uma reunião na ONU sobre a violência na Síria, durante a qual potências europeias relançaram um antigo projeto de resolução para condenar Damasco pela repressão contra manifestantes. Uma nova versão do texto circulou pelo Conselho de Segurança na segunda-feira, mas nenhuma decisão foi tomada.

A ação do Exército sírio parece tentar impedir que os protestos contra o governo ganhem força durante o Ramadã. No mês do jejum muçulmano, centenas de pessoas frquentam mesquitas à noite, e o regime teme que as orações possam se transformar em amplas manifestações.

Ativistas dizem que mais de 1.500 civis e 350 oficiais das forças de segurança foram mortos na Síria desde o início dos protestos, em meados do mês de março. Além disso, mais de 12.600 pessoas foram presas e outras 3 mil constam como desaparecidas.

Com AP, BBC e AFP

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