Oleoduto é alvo de explosão em Homs, na Síria

Ativistas dizem que oleoduto foi 'atacado', enquanto governo culpa 'terroristas'; oposição lança campanha de desobediência civil

iG São Paulo |

Um enorme oleoduto sírio que transporta petróleo para uma refinaria na cidade de Homs foi alvo de uma explosão nesta quinta-feira, afirmaram ativistas e a agência estatal de notícias. Ninguém ficou ferido. O incidente aconteceu no mesmo dia em que militantes pró-democracia anunciaram o lançamento de uma campanha de desobediência civil e convocaram greves para sexta-feira e domingo para pressionar o regime do presidente Bashar al-Assad.

Reuters
Fumaça é vista em refinaria de petróleo em Homs, na Síria, após explosão de oleoduto

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, grupo de ativistas com sede no Reino Unido, afirmou que o oleoduto foi "atacado", enquanto a agência oficial de notícias Sana disse que “terroristas armados cometeram um ato de sabotagem”.

Leia também: Presidente da Síria diz não sentir culpa por repressão a levante

Segundo uma autoridade do governo, a explosão causou um incêndio que ainda não foi controlado. Duas explosões similares atingiram oleodutos na Síria em julho, sem deixar vítimas. O diretor da Companhia de Petróleo da Síria, Nomair Makhlouf, afirmou que o oleoduto abastece o mercado doméstico e transporta o equivalente a 140 barris de petróleo por dia.

A explosão acontece em meio à onda de violência na Síria, conforme o governo tenta reprimir as manifestações contra Assad, que começaram em março. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), os confrontos deixaram mais de 4 mil vítimas .

Com o slogan de "greve da dignidade", os opositores conclaram os trabalhadores e operários de todos os organismos públicos, no interior e no exterior da Síria, para fazer uma paralisação na sexta-feira e domingo. Os militantes também pediram que os estudantes não assistam às aulas.

"Continuaremos com a nossa revolução pacífica e nossa luta civil até a vitória. A greve (...) é um passo na direção da desobediência civil (...) para cortar os meios financeiros do regime com os quais ele mata nossas crianças", afirma um comunicado divulgado na internet.

Sem culpa

Em entrevista transmitida pela rede americana ABC News na quarta-feira, Assad afirmou não sentir culpa pela repressão contra o levante popular de quase nove meses, apesar dos relatos de brutalidade das forças de segurança, afirmando que não ordenou a morte de manifestantes por não estar no comando das tropas por trás das ações.

"Fiz o melhor para proteger as pessoas, então não posso me sentir culpado", afirmou, rindo levemente. "Lamento as vidas que foram perdidas. Mas não se sente culpa quando não se mata ninguém."

Assad afirmou que não deu ordens de "matar ou ser brutal". "Elas não são minhas forças", respondeu quando questionado se os soldados sírios vinham reprimindo com muita força os manifestantes. "Elas são forças militares que pertencem ao governo. Não sou dono delas. Eu sou presidente. Não sou dono do país."

Em seu papel como presidente, Assad, de 46 anos, é comandante das Forças Armadas da Síria. De acordo com ele, os membros das forças de segurança que se excederam em suas funções foram punidos. "Toda 'reação brutal' foi de um indivíduo, e não de uma instituição. Isso é o que você precisa saber", disse. "Há uma diferença entre ter uma política de repressão e ter alguns erros cometidos por alguns oficiais. Há uma grande diferença."

A entrevista foi ao ar um dia depois de os EUA terem anunciado que seu embaixador na Síria, Robert Ford, retornará a Damasco depois de ter sido retirado em outubro por questões de segurança. O embaixador francês voltou ao país árabe na segunda-feira.

Com AP e BBC

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