Oito oficiais líbios deixam regime de Muamar Kadafi

Desertores chegaram à Itália nesta segunda; presidente sul-africano diz que líder líbio está disposto a acordo mediado pela UA

iG São Paulo |

Oito oficiais líbios do Exército de Muamar Kadafi, entre eles cinco generais, anunciaram a sua deserção nesta segunda-feira em Roma. "Esses oficiais fazem parte do grupo de 120 militares que deixou Kadafi e a Líbia nos últimos dias. Esperamos que outros se juntem ao povo líbio e abandonem esse déspota criminoso", declarou o ex-ministro das Relações Exteriores líbio, Abdel Rahman Chalgam.

Os oficiais chegaram a Roma nesta segunda-feira, depois de passar pela fronteira com a Tunísia. Parte de um grupo de 120 militares, os cinco generais, dois coronéis e um major fizeram um apelo para outros militares se juntarem a eles e os rebeldes opositores que pedem a saída do líder líbio.

AFP
Representante da Líbia nas Nações Unidas, Shalgam Abdul Rahman (D), ao lado de oficiais que desertaram do regime de Kadafi e chegaram nesta segunda-feira à Itália
Para o general líbio Salah Giuma Yahmed, as deserções dos oficiais mostram que "as forças internacionais conseguiram paralisar as tropas de Kadafi, que contam apenas com 20% de sua capacidade militar".

Segundo o embaixador da Líbia nas Nações Unidas, Abdurrahman Shalgam, também desertor, todos os 120 militares que abandonaram as forças de Kadafi estão fora da Líbia. Ele não revelou, no entanto, onde estariam esses militares.

Para o ativista de oposição da Líbia Ashour Shamis, que mora na Grã-Bretanha, as deserções irão gerar um impacto sobre o governo Kadafi, "aumentando a pressão sobre ele".

Zuma

Também nesta segunda-feira, o presidente sul-africano, Jacob Zuma , chegou à capital líbia,Trípoli, para tentar buscar uma solução negociada para o conflito entre os rebeldes líbios e o regime de Kadafi.

No fim do dia, Zuma disse que Kadafi está pronto para um trégua nos conflitos e aceitará uma iniciativa apresentada pela União Africana (UA) para mediar um acordo entre governo e rebeldes.

Ataques da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deixaram pelo menos 11 mortos nesta segunda-feira em "zonas civis e militares" na cidade de Zliten, a cerca de 150 quilômetros ao leste de Trípoli, segundo a agência oficial líbia "Jana".

A agência, que cita uma fonte militar, assegurou que os ataques da Otan em Zliten, na região de Wadi Kaam, também deixaram vários feridos, mas não anunciou um número exato. Zliten se encontra entre a capital líbia e a cidade de Misrata, em poder dos rebeldes e cercada há três meses pelas tropas de Kadafi.

A Jana informou que os ataques da Otan se concentraram nesta segunda-feira também na cidade de Al-Kufrah, a cerca de 600 quilômetros ao sudeste da capital líbia. A região também foi alvo de bombardeios da Otan na noite de domingo, informou a agência.

A Jana revelou que aviões da Otan realizaram no domingo outros ataques na cidade de Nalut, na região ocidental de Tiji, causando "perdas humanas e materiais". Nalut, perto da fronteira com a Tunísia, é um estratégico reduto rebelde.

Os rebeldes líbios, que controlam grande parte do leste do país, continuam lutando em várias regiões do oeste, em sua maioria em poder das forças do regime. Misrata, a terceira maior cidade do país, e algumas cidades nas montanhas ao sul de Trípoli, são os principais redutos insurgentes na região ocidental da Líbia.

*Com Reuters, AP, AFP e EFE

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